“Falar é o modo mais simples de nos tornarmos desconhecidos”
Fernando Pessoa
ESTÁ BOM DE SAL?
Sempre preferi salgado a doce
Pode ser até um prato de canja
- quente ou frio -
desde que bem temperado
Quando eu estou doce,
opto pelo salgado.
Quando salgada pelo doce.
Uma forma de equilibrar o paladar.
Minha lírica é cítrica
Onde mel não combina com céu,
mas com gema de sol,
adoçado com limão e sal.
No cardápio, a vida apimentada,
achocolatada e remexida
- a metade da laranja -
Eu atendo o pedido da alma
Marli Savelli
Publicado no Aquário Literário em 02/06/2011
POESIA E AMOR SEM GELO, POR FAVOR
Não, eu nunca usei nenhum tipo de droga
para escrever
Poesia e Amor são os meus vícios
Sim, sou alcoolotra!
Dessas que se embriaga e não pensa no que fala
Não fumo maconha
Não cheiro cocaína
Não bebo cachaça
Liberdade não é isso, eu não preciso disso
Minhas viagens são sonhadoras
não alucinógenas
Na verdade, sinto que sou
a própria droga
Escrevo para não me perder de mim!…
Marli Savelli
Aproveitei para fazer este poema lembrando que hoje, 31/05, é comemorado o ”DIA MUNDIAL SEM TABACO”. A data lembra a necessidade de combater o tabagismo, hábito que leva a cerca de 5 milhões de mortes anuais no planeta, segundo a OMS. Veja 5 motivos para largar o vício
Publicado no Aquário Literário em 31/05/2011
ARROZ-COM-FEIJÃO E LETRAS
O arroz queimou,
o feijão não atingiu o ponto.
Desculpe-me,
foi mera distração!…
Pensa que é fácil cuidar do jantar,
da casa,
e ainda costurar coração?…
Marli Savelli
Publicado no Aquário Literário em 30/05/2011
MEU MUNDO MADREPÉROLA
Parece até que eu não frequentei aulas
de Geografia,
Sinto-me tão desorientada com esta divisão
- Américas, Europa, Ásia, África –
Vai além das fronteiras
do meu entendimento
E não entender me faz crer que somos um só povo
Falando idiomas diferentes,
mas pensando, sentindo e agindo
com o mesmo impulso de qualquer vivente…
Se eu te disser:
Eu te amo, em português
I love you, em inglês
Te amo, em espanhol
Je t’aime, em francês
Ich liebe dich, em alemão
Ti amo, em italiano
Kimi o ai shiteru, em japonês…
Podemos ver que sentir é
infinitamente maior que entender…
Se não fala a minha língua
fala a minha alma.
Marli Savelli
Publicado no Aquário Literário em 23/05/2011
ALMA ESCRITORA
Clarice Lispector, me entenderia
Até parece que ela sou eu, eu sou ela!
Talvez seja eu, apenas eu…
Uma sonhadora debaixo do edredom
Longe de holofotes e flashes
Buscando nas linhas paradoxais
o equilíbrio
__ Poeta ou louca?…
Posso levar a vida inteira
para ter respostas
Quem sabe em outro planeta!
Marli Savelli
Publicado no Aquário Literário em 27/05/2011
Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.
Aqui está um resumo:
O Estádio Olímpico de Londres tem uma capacidade de 80.000 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 270.000 vezes em 2011. So fosse o Estádio, eram precisos 3 eventos esgotados para que todos o visitassem.
O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?
Não desista de seus sonhos… F e l i z 2 0 1 2 !!!
(…) As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: « Qual é o som da sua voz ? Quais os brinquedos que preferem ? Será que ele coleciona borboletas ? ». Mas perguntam : « Qual a sua idade ? Quantos irmãos ele têm ? Quanto pesa ? Quanto ganha seu pai ? ». Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dissermos às pessoas grandes: « Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado… » elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: « Vi uma casa de seiscentos contos ». Então elas exclamam: « Que beleza ! »
Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o príncipezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existem” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.
Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer:
« Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo… » Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.
Porque eu não gosto que leiam meu livro levianamente. Dá-me tanta tristeza narrar essas lembranças! Faz já seis anos que meu amigo se foi com seu carneiro. Se tentar descrevê-lo aqui, é justamente porque não o quero esquecer. É triste esquecer um amigo. Nem todo o mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números. Foi por causa disso que comprei uma caixa de tintas e alguns lápis também. É duro pôr-se a desenhar na minha idade, quando nunca se fez outra tentativa além das jibóias fechadas e abertas dos longínquos seis anos! Experimentarei, é claro, fazer os retratos mais parecidos que puder. Mas não tenho muita esperança de conseguir. Um desenho parece passável; outro, já é inteiramente diverso. Engano-me também no tamanho. Ora o príncipezinho está muito grande, ora pequeno demais. Hesito também quanto à cor do seu traje. Vou arriscando então, aqui e ali. Enganar-me-ei provavelmente em detalhes dos mais importantes. Mas é preciso desculpar. Meu amigo nunca dava explicações. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.
“Alma é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora.”
Rubem Alves
Virginia Woolf
“Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheça esta pessoa saibas estar agradecido.”
Gabriel Garcia Marquez
Palavras do Leitor