A UM PASSARINHO – Vinicius de Moraes

31 31UTC Julho 31UTC 2009 at 9:54 pm (POEMAS e POESIAS)

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

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AMBIGUIDADE

29 29UTC Julho 29UTC 2009 at 8:13 am (LINGUA PORTUGUESA)

Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases, proposições ou textos.

Alguns exemplos:

1. O cadáver foi encontrado perto do banco.

- Não sabemos se o cadáver foi encontrado perto de uma casa bancária ou ao lado de um banco de jardim. A ambiguidade nasce da palavra banco, que pode ser usada em diferentes acepções.

2. Pedro pediu a José para sair.

- Neste caso, a ambiguidade não nasce de uma palavra de duplo sentido, mas, sim, da própria estrutura da frase. Que idéia a frase expressa: a) Pedro pediu permissão a José para sair um pouco ou b) Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco?

3. O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz.

- As palavras de quem convenceriam o juiz: do réu ou do advogado?

4. Crianças que comem doce frequentemente têm cáries.

- A posição do adjunto adverbial complica tudo na frase: as crianças têm cáries porque comem doce com frequência ou há mais probabilidade de ocorrerem cáries em crianças que comem doces?

 

RECURSO ESTILÍSTICO

A ambiguidade, contudo, nem sempre é um erro de expressão ou um vício de linguagem. Em literatura, o texto pode ser polissêmico, ou seja, apresentar multiplicidade de sentidos.

O professor Berthold Zilly, tradutor de Machado de Assis na Alemanha, cita, em uma entrevista, exatamente essa qualidade do texto machadiano: “Ele [Machado de Assis] é notório pelas suas expressões e frases ambíguas. Há pouco, por exemplo, estive refletindo sobre uma frase do livro [Memorial de Aires]. O narrador diz: ‘Já tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois não estou’. O que ele quer dizer com ‘gasto’? Acostumado, cansado, insensível – acho que é por aí. Mas não é o sentido normal da palavra, não é o convencional. E ele reiteradamente usa palavras fora do seu sentido convencional. Praticamente a cada duas frases há uma dificuldade semelhante. Não se sabe também 100% o que ele quer dizer, há várias interpretações”.

 

 

  Semântica, Rodolfo Ilari & João Wanderley Geraldi, Editora Ática, 7ª edição, 1995.

  A estilística, José Lemos Monteiro, Editora Ática, 1991.

  “Ambiguidade dificulta tradução de Machado, diz tradutor alemão”

 

 

FONTE: http://vestibular.uol.com.br

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FIGURAS DE SINTAXE

27 27UTC Julho 27UTC 2009 at 11:10 am (LINGUA PORTUGUESA)

Quando escrevemos, buscamos maneiras de exprimir nosso pensamento. Para tanto, utilizamos diferentes recursos, dentre eles, as figuras de sintaxe, ou seja, diferentes formas de se construir as frases:

  • Pleonasmo: superabundância de palavras para enunciar uma ideia:

    a) quando se procura reproduzir a fala popular:
    Entra pra dentro, Carlinhos. ” (José Lins do Rego)

    b) emprego do adjetivo como epíteto de natureza:
    “E a Noite sou eu própria! A Noite escura!! (Florbela Espanca)

    Objeto pleonástico:

    a) Para dar realce ao objeto direto, é costume colocá-lo no início da frase e, depois, repeti-lo com a forma pronominal o (a, os, as):
    Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.” (Mário Quintana)

    b) O pronome lhe também pode reiterar o objeto indireto:
    Ao homem mesquinho basta-lhe um burrinho.

    c) Para ressaltar o objeto (direto ou indireto), usa-se fazer acompanhar um pronome átono da correspondente forma tônica regida da preposição a:
    A mim não me enganas tu.” (Miguel Torga)

  • Hipérbato: utilizando-se a intercalação de um membro frásico, separam-se palavras que pertencem ao mesmo sintagma:
    Que arcanjo teus sonhos veio
    Velar, maternos, um dia?
    ” (Fernando Pessoa)
  • Anástrofe: inversão que consiste na anteposição do determinante (preposição + substantivo) ao determinado:
    Vingai a pátria ou valentes
    Da pátria tombai no chão!
    ” (Fagundes Varela)

    (Observação: gramáticos e teóricos de literatura têm diferentes definições para “hipérbato” e “anástrofe”, o que tem levado a se fazer uma classificação mais geral, unindo as duas figuras sob o termo de “inversão”.)

Elipse: omissão de termos ou expressões que ficam subentendidos na frase:

1) Elipse como processo gramatical:

a) Elipse do sujeito:
Maria foi até o quarto. Acendeu a luz, olhou a cama vazia.

b) Elipse do verbo:
Um hipócrita. Até quando sincero, um hipócrita.

c) Elipse de preposição:
Miguel foi atrás dela, mãos nos bolsos, falando calmo.”
(Luandino Vieira)

d) Elipse da preposição de antes da integrante que introduz as orações objetivas indiretas e as completivas nominais:
Uma vez certa que morria, ordenou o que prometera a si mesma.” (Machado de Assis)

e) Elipse da conjunção integrante que:
Não cuideis seja a masmorra…
Não cuideis seja o degredo…

(Cecília Meireles)

2) Elipse como processo estilístico (trata-se de um recurso condensador da expressão):

a) na descrição esquemática de ambientes, de estados de alma, de perfis:
E o trabalho, as esperanças perdidas, a magreza, a fome de todo o ano. Sezões e tifos. Sonhos e raivas encobertos em xales e saias escuras, em fatos de bombazina de contrabando, gente de luto.” (Fernando Namora)

b) em anotações rápidas:
Poucos feridos. Rara gente de luto. Nenhuma tristeza. Muitos espetáculos. Cafés do centro, cheios.” (Mário de Sá-Carneiro)

c) na enunciação de pensamentos condensados, ditos sentenciosos ou irônicos:
– Meu dito, meu feito.” (Machado de Assis)

d) nas enumerações:
Jantares, danças, luminárias, músicas, tudo houve para celebrar tão fausto acontecimento.” (Machado de Assis)

 

  • Zeugma: é uma forma de elipse. O termo utilizado em um enunciado participa de outro, mas sem estar expresso:
    A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.” [Entenda-se: Os altares eram humildes.] (Carlos Drummond de Andrade)
  • Prolepse (ou antecipação) : deslocação de um termo de uma oração para outra que a preceda:
    - O próprio ministro dizem que não gostou do ato.” (Machado de Assis)
  • Sínquise: inversão violenta das palavras de uma frase:
    Da fonte dos meus olhos nunca enxuta
    A corrente fatal, fico indeciso,
    Ao ver quanto em meu dano se executa.
    ” (Cláudio Manuel da Costa)

    Em ordem direta, teríamos: “Ao ver quanto se executa em meu dano, fico indeciso [perante] a corrente fatal da fonte dos meus olhos [que] nunca [está] enxuta.

  • Assíndeto: vigoroso processo de encadeamento do enunciado, que exige do leitor uma atenção maior no exame de cada fato:
    A barca vinha perto, chegou, atracou, entramos. ” (Machado de Assis)
  • Polissíndeto: é o contrário do assíndeto, ou seja, emprego reiterado de conjunções coordenativas, especialmente das aditivas:
    O quinhão que me coube é humilde, pior do que isto: nulo. Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo. “(Otto Lara Resende)
  • Anacoluto: mudança de construção sintática no meio do enunciado, geralmente depois de uma pausa sensível:
    Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas, de tão imprestáveis. “(José Lins do Rego)
  • Silepse: concordância que se faz não com a forma gramatical das palavras, mas com o seu sentido, com a ideia que elas expressam:

    a) Silepse de número:
    Deu-me notícias da gente Aguiar; estão bons. ” (Machado de Assis)

    b) Silepse de gênero:
    V. Ex.ª parece magoado” (Carlos Drummond de Andrade)

    c) Silepse de pessoa:
    Sós os quatro velhos – o desembargador com os três – fazíamos planos futuros. ” (Machado de Assis)

    No fundo a gente se consolava, pensávamos em nós mesmos. ” (Autran Dourado)

  • Anáfora: repetição de palavras ou expressões no início de versos ou frases:
    Como no tanque de um palácio mago
    Dois alvos cisnes na bacia lisa,
    Como nas águas que o barqueiro frisa,
    Dois nenuferes sobre o azul do lago [...]

    (Castro Alves)

 

http://vestibular.uol.com.br

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