Micos de Linguagem

13 10 2010

 

Micos de grafia
EQUÍVOCO CORREÇÃO
Advinhar Adivinhar
Ascenção Ascensão
Apropiado Apropriado
Beneficiente Beneficente
Distoar Destoar
Excessão Exceção
Encapuçado Encapuzado
Frustado Frustrado
Flagrância Fragrância
Impecilho Empecilho
Paralizar Paralisar
Pertubar Perturbar
Previlégio Privilégio
Xuxu Chuchu

 

Micos de concordância e regência
O PROBLEMA O EQUÍVOCO A CORREÇÃO A EXPLICAÇÃO
Fazer “Fazem” dez meses. “Faz” dez meses. Se “fazer”exprime tempo, é impessoal.
Haver “Houveram” muitos fatos. “Houve” muitos fatos. “Haver”, no sentido de “existir”, é invariável.
Ver/vir Se eu “ver” você por aí… Se eu “vir” você por aí… A conjugação é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver.
Existir “Existe” muitas crianças. “Existem” muitas crianças. “Existir”, “bastar”, “faltar”, “restar” e “sobrar” admitem normalmente o plural.
Mim/eu Para “mim” fazer. Para “eu” fazer. “Mim” não faz, porque não pode ser sujeito.
Entre Entre “eu” e você. Entre “mim” e você. Depois de preposição, usa-se “mim” ou “ti”.
Redundância com “haver” “Há” dez anos “atrás”. “Há” dez anos / Dez anos “atrás”. “Há” e “atrás” indicam passado na frase.
Preferir Preferia ir “do que” ficar. Preferia ir “a” ficar. Prefere-se uma coisa a outra.
Chegar + preposição Chegou “em” São Paulo. Chegou “a” São Paulo. Verbos de movimento exigem “a”, e não “em”
Chegar + Haver Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. Chegou “há” duas horas e partirá daqui “a ” cinco minutos. “Há” indica passado e equivale a “faz”, enquanto “a” exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz).
Manter Se ele “manter” o acordo, teremos otimos resultados. Se ele mantiver o acordo, teremos otimos resultados. A conjugação é: Se eu/ele mantiver
Propor Quando eles “proporem” o valor… Quando eles propuserem o valor… A conjugação é: Se eu propuser etc.
Implicar Implicou “em” três etapas. Implicou três etapas. No caso, “implicar” rejeita preposição.
Meio Ela era meia louca. Ela era meio louca. “Meio”, advérbio, não varia.

 

Micos da semelhança
PROBLEMA EXPLICAÇÃO
DE ENCONTRO A
x
AO ENCONTRO DE
e encontro a = Contra.
Ao encontro de = Na direção de;
De acordo com.
AO INVÉS DE
x
EM VEZ DE
Ao invés de = Ao contrário
Em vez de = Em lugar de
DESCRIÇÃO x DISCRIÇÃO Descrição = Ato de detalhar como algo é ou foi.
Discrição = Qualidade de discreto,
recatado e sensato
ESTADA X ESTADIA Estada = Ato de permanecer.
Estadia = Estada por tempo limitado.
ONDE X AONDE “Onde” = Em que lugar
“Aonde” = Para onde.

 

Micos que viram vício
  • Ambiguidade – Quando o sentido não fica claro, com enunciado com mais de um sentido: “O pai o filho adora” (quem adora quem?)
  • Cacofonia – Sequência de palavras que provoca som de uma expressão ridícula ou obscena: “Por razões de segurança”. “Por cada etapa, ganharemos muito”.
  • Plebeísmo – Uso de termos que demonstram falta de instrução ou variedade vocabular: “tipo assim”, “a nível de”, “meio que”, “enfim” (como interjeição), gerundismo (“vou estar planejando”).
  • Tautologia - Repetição desnecessária de ideia ou termo já enunciado: “critério pessoal”, “encarar de frente”, “planejar antecipadamente”, “criar novos empregos”, “acabamento final”.

 

Micos sintáticos
OCORRÊNCIA O PROBLEMA
Viajar anexo Usado no sentido de viajar “ao lado de alguém”.
Nunca “lhe” vi. O pronome lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: nunca o vi / não o convidei / a mulher o deixou / ela o ama.
“Aconteceu” muitos casos de reclamação de clientes. “Segue” os documentos necessários para o cadastro. “Fica” estabelecido as seguintes alterações. Na fala, o verbo anteposto ao sujeito nem sempre é assinalado. Por escrito, pega mal não fazer a concordância. Por isso: Aconteceram muitos casos… Seguem os documentos… Ficam estabelecidas
as seguintes alterações.

 

Micos do lugar-comum
Agenda positiva (Exame de um problema ou tentativa de acordo, em geral político, com base nos aspectos positivos da questão para os interessados.)
Agregar valor (Expressão vaga; algo como “juntar benefícios” – acabamento ou algo mais – a bem primário ou semiprimário.)
Aterrissar (Papéis e contratos na mesa). Tolice exagerada.
Atingir em cheio (Conseguir o objetivo plenamente, atingir o alvo, se concreto.)
Como um todo (O nome da coisa já é a coisa toda.)
Consumidor final (E o consumidor medial ou inicial?)
Continuar ainda (Por que o “ainda”?)
De braços cruzados (Em greve. Raras notícias sobre greve deixam de registrar, cansativamente, que os trabalhadores estão “de braços cruzados”.)
Detalhe importante e pequeno detalhe (Contradição: detalhe é insignificância; e redundância: detalhe já é pequeno.)
Em função de (Por causa de.)
Fazer uma colocação (Apartear, falar, perguntar, interpelar, discordar).
Sofrer (No sentido de “receber” e sinônimos: Sofrer aumento, sofrer manutenção, sofrer cuidados. Ninguém “sofre” tais coisas).

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Nossa Língua Portuguesa

13 09 2010

 

NOSSA LÍNGUA  PORTUGUESA

> Custas só se usa na linguagem jurídica para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa do pai”. No singular.

> Não existe a expressão à medida em que. Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.

> O certo é a meu ver e não ao meu ver.

> A princípio significa inicialmente, antes de mais nada: Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. Em princípio quer dizer em tese. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

> À-toa, com hífen, é um adjetivo e significa “inútil”, “desprezível”. Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa. À toa, sem hífen, é uma locução adverbial e quer dizer “a esmo”, “inutilmente”. Ex: Andava à toa na vida.

> Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…” Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí…”.

> Acerca de quer dizer a respeito de. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas há cerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.

> Não esqueça: alface é substantivo feminino. A Alface está bem verdinha.

> Além pede sempre o hífen: além-mar, além-fronteiras, etc.

> Algures é um advérbio de lugar e quer dizer “em algum lugar”. Já alhures significa “em outro lugar”.

> Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas palavras: almoços, bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.

> O certo é alto-falante, e não auto-falante.

> O certo é alugam-se casas, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não errar.

> Depois de ditongo, geralmente se emprega x. Veja: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe, etc.

> Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.

> Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com idéia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

> Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois s. Escreva sempre com o s dobrado.

> Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. O produto, sim, é que pode ser caro ou barato. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.

> Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.

> Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962.

> Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses. Percebeu a diferença?

> Hoje, tanto se diz boêmia como boemia. Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade no mia.

> Cuidado: Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.

> Preste atenção: o senador Luiz Estêvão foi cassado. Mas o leão foi caçado e nunca foi achado. Portanto, cassar (com dois s) quer dizer tornar nulo, sem efeito.

> Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.

> Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.

> Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen. Já cartão-postal exige o tracinho.

> Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z. Esse português…

> O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc.

> Censo é de recenseamento; senso refere-se a juízo. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.

> Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.

> Cidadão só tem um plural: cidadãos.

> Cincoenta não existe. Escreva sempre cinquenta

> Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. O certo é gratuito, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.

> E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. Escreva e diga sempre rubrica.

> Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

> Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

> Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.

> A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.

> Coser significa costurar. Cozer significa cozinhar.

> O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

> Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.

> Dia a dia (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias, dia após dia. Por exemplo: Dia a dia minha saudade vai crescendo. Enquanto que dia-a-dia é um substantivo que significa cotidiano e admite o artigo: O dia-a-dia dessa gente rica deve ser um tédio.

> A pronúncia certa é disenteria, e não desinteria.

> A palavra dó (pena) é masculina. Portanto, “Sentimos muito dó daquela moça”.

> Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

> Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

> Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.

> Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.

> A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.

> Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

> E não esqueça: exceção é com ç, mas excesso é com dois s.

> Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales…Horrível, né?

> Todas as expressões adverbiais formadas por palavras repetidas dispensam a crase: frente a frente, cara a cara, gota a gota, face a face, etc.

> Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não duzentas ou trezentas. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for a relva, aí sim, é feminino: não pise na grama; a grama está bem crescida.

> É freqüente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás… Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá idéia de passado. Ou se diz simplesmente Há muito anos… ou Muitos anos atrás. Escolha. Mas não junte o há com atrás.

> Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -n recebem acento gráfico, mas as terminadas em -ns não recebem: hífen, hifens; pólen, polens.

> Atenção: Ele interveio na discórdia, e não interviu. Afinal, o verbo é intervir, derivado de vir.

> Item não leva acento. Nem seu plural itens.

> O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal.

> Todo mundo gosta de dizer magérrima, magríssima, mas o superlativo de magro é macérrimo.

> Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2o grau. E nunca: os alunos melhor preparados…

> Essa história de mal com l, e mau com u, até já cansou: É só decorar: Mal é antônimo de bem, e mau é antônomo de bom. É só substituir uma por outra nas frases para tirar a dúvida.

> Pronuncie máximo, como se houvesse dois s no lugar do x. (mássimo)

> Toda vez que disser “É meio-dia e meio” você estará errando. O certo é: meio-dia e meia. Ou seja, meio dia e meia hora.

> Não tenho nada a ver com isso, e não haver com isso.

> Nem um nem outro leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu.

> Toda vez que usar o verbo gostar tenha cuidado com a ligação que ele tem com a preposição de. Ex: a coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de que mais gosto é minha mãe.

> Lembre-se: pára, com acento, é do verbo parar, e para, sem acento, é a preposição. Portanto: Ele não pára de repetir para o amigo que tem um carro novo.

> Fique atento: nunca diga nem escreva 1 de abril, 1 de maio. Mas sempre: primeiro de abril, primeiro de maio. Prevalece o ordinal.

> É chato, pedante ou parece ser errado dizer “quando eu vir Maria, darei o recado a ela”. Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir. Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.

> Só use quantiapara somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantiade 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.

> Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar, reafirmar: “Eu ratifico o que disse e retifico meus erros.

> Quando disser ruim, diga como se a sílaba mais forte fosse -im. Não tem cabimento outra pronúncia.

> Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São Tomé, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos Santo: Santo Antonio, Santo Henrique, etc.

> E lembre-se: Seção, com ç, quer dizer parte de um todo, departamento: a seção eleitoral, a seção de esportes. Já sessão, com dois s, significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembléia, um acontecimento qualquer: A sessão do cinema demorou muito tempo. A sessão espírita terminou.

> Não confunda: senão, juntinho, quer dizer “caso contrário”. E se não, separado, equivale a “se por acaso não”. Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?

> Tire esta dúvida: quando só é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja, pode ir para o plural. Mas só como advérbio, quer dizer somente. Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom diálogo os trará de volta.

> É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado dizer: “O que nos falta são subzídios”. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.

> Taxar quer dizer “tributar”, “fixar preço”. Tachar é “atribuir defeito”, “acusar”.

> E nunca diga: Eu torço para o Flamengo. Quem torce de verdade, torce pelo Flamengo.

> Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenha de votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles preferem fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível.

> Um dos que deixa dúvidas. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão. Mas pela norma culta, devemos pluralizar: Eu sou um dos que foram admitidos. Sandra é uma das que ouvem rádio.

> Veado se escreve com e, e não com i.

> Esse português da gente tem cada uma: tem viagem com g e viajem com j. Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.

> O prefixo vice sempre se separa por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor, etc.

> Geralmente, se usa o x depois da sílaba inicial -en: enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher, etc) e quando -en se junta a um radical iniciado por ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.

> Não adianta teimar: chuchu se escreve mesmo é com ch.

> Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.

> E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.

> Adentro é uma palavra só: meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro.

> Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.

> Afim (juntinho) tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. A fim de (separado) equivale a para: Veio logo a fim de me ver bem vestido.

> Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o verbo aguar normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.

> Centigrama é palavra masculina: dois centigramas.





EQUIVOCADO x CORRETO

9 02 2010

Alguns dos mais frequentes equívocos da comunicação

HAVER e FAZER

Os verbos “haver” e “fazer” são responsáveis por muitos erros. No sentido de “existir” e “ocorrer”, ambos são impessoais, ou

seja, não devem ser flexionados quando empregados para indicar tempo passado ou fenômeno meteorológico.

Equivocado
houveram fatos inusitados na reunião.
Houveram muitas chuvas
no mês de novembro.
Haviam muitas pessoas na palestra.
Fazem quatro meses que trabalho aqui.
Fazem anos que não a vejo.

Correto
Houve fatos inusitados na reunião.
Houve muitas chuvas
no mês de novembro.
Havia muitas pessoas na palestra.
Faz quatro meses que trabalho aqui.
Faz anos que não a vejo.

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CONJUGAÇÃO DE IRREGULARES E SUBJUNTIVO

Há verbos a que é preciso ficar atento, como: por, compor, propor, poder, trazer, fazer, dizer, querer, ver, vir, ir, ter, manter, conter.

Equivocado
Se eu o ver, darei o recado.
Se ele manter o acordo, teremos ótimos resultados.
Quando eles proporem o valor, nós decidiremos se compraremos o equipamento.

Correto
Se o vir, darei o recado
Se ele mantiver o acordo, teremos ótimos resultados.
Quando eles propuserem o valor, nós decidiremos se compraremos o equipamento.

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CONCORDÂNCIA COMPLEXA

Há dificuldade quando se concorda o sujeito com o verbo em frases invertidas ou em que o sujeito fica distante do verbo

Equivocado
Aconteceu muitos casos de reclamação de clientes.
Segue os documentos necessários para o cadastro.
Os produtos da empresa não contém prazo de validade.
Foi feito várias propostas.
Ocorreu nos meses de agosto e setembro sérias crises econômicas.
Vai aparecer mais candidatos à vaga.
Fica estabelecido as seguintes alterações.

Correto
Aconteceram muitos casos de reclamação de clientes.
Seguem os documentos necessários para o cadastro.
Os produtos da empresa não contêm prazo de validade.
Foram feitas várias propostas.
Ocorreram nos meses de agosto e setembro sérias crises econômicas.
Vão aparecer mais candidatos à vaga.
Ficam estabelecidas as seguintes alterações.

Revista Língua Portuguesa





“INGUINORANSSA”

13 01 2010

 

Quem nunca cometeu/comete algumas dessas “inguinoranssa”, de vez em quando, heim? Achei interessante, veja:

 

AMIGO PESSOAL
Só existe amigo pessoal. Ainda não inventaram o amigo “impessoal”. Se não for amigo mesmo (pessoal), chame de colega, cliente, fã, parente, simpatizante, conhecido, “chegado” etc.

 

ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO
Todo orçamento é sem compromisso. Se fosse com compromisso, não seria orçamento, mas já a própria compra.

 

TELEFONE DE CONTATO
Se você tem um telefone de contato, você não é nenhum privilegiado, pois todo telefone é de contato. Na época atual todo mundo tem telefone (de contato), porém nem todos têm contato com o dinheiro para pagar a conta dele.

 

DUAS ÚNICAS APRESENTAÇÕES
Tem dó, né! Se são duas, não são únicas (”única” vem de “um”). Se é única, não são duas. Apenas duas apresentações e estamos conversados.

 

TRABALHA COM CHEQUE
“Você trabalha com cheque?”, pergunta o vendedor, querendo lhe empurrar o duvidoso produto a ser pago em cinco “suaves” prestações, mediante “pré-datados” (outra coisa que não existe é “pré-datado”). Trabalha com cheque não, meu! Trabalha com chefe, com computador, telefone, calculadora, lápis, livro, giz, caderno, caneta, borracha, papel, produto, carro, e-mail, cafezinho etc. A gente usa cheque, emite cheque, mas não “trabalha” com cheque. O máximo que dá para aceitar é que trabalhamos PORTANDO cheque(s).

 

JOGOS DE IDA E VOLTA
Essa é demais: “O Cruzeiro faz hoje em BH o jogo de ida pelas finais…”. Jogo de ida de quem? O Cruzeiro é de BH e joga em BH Quem está indo? Se for o adversário de outra cidade, ele não está indo, está vindo. É mais uma invenção esdrúxula da crônica esportiva. Só pode ser coisa do Galvão Bueno…

 

ELE NÃO TEM NADA NA CABEÇA, POIS SÓ PENSA “NAQUILO”
O certo é: ele só tem “aquilo” na cabeça.

 

SÃO MEIO-DIA
Mais um santo na praça! Essa é absolutamente ridícula, mas o povão insiste em que na hora do almoço “são” meio-dia. O plural é só pra mais de um, nunca para a metade de um. Haja santa paciência!

 

VAMOS ESTAR FAZENDO, VAMOS ESTAR OLHANDO, VAMOS ESTAR PROVIDENCIANDO ETC.
Para que usar três verbos, se a parcimônia é possível: faremos, olharemos, providenciaremos etc. Além do mais, gerúndio no futuro é, no mínimo, suspeitíssimo…

 

HAJA CORAÇÃO!
Sem chance, Galvão. No jogo Brasil x Inglaterra, entre outros, o Brasil não correu nenhum risco, a não ser na jogada em que nossa defesa entregou um gol “de graça”. O time deles só tem marketing. Não joga quase nada. E você falando que estava DRAMÁAAATICO. Haja saco! Impeachment “nocê”, Galvão. Bom é o Sílvio Luiz, que quando o jogo está sem graça (quase sempre), fica conversando fiado…

 

FEIA(O) DE ROSTO, MAS BONITA(O) DE CORPO
Uai! Então quer dizer que rosto não é corpo?! O certo é: feia(o) de rosto, mas bonita(o) de resto.

 

PERDI MEU VOTO
O sujeito vota no candidato derrotado e diz que perdeu o voto… Quem sabe o TRE o encontra lá dentro da urna eletrônica e devolve para o pobre eleitor. Tem dó, cidadão! Quem perdeu foi o seu candidato, e não você.

 

ELE(A) TEM PROBLEMA
Estamos diante de uma pessoa com graves transtornos emocionais ou neurológicos e alguém diz que ele(a) tem “problema”. É preciso ser mais específico. Problema todo mundo tem. Se fosse para prevenir alguém de que outro (improvável) alguém é singular, completamente diferente e certamente nos surpreenderá, ! deveríamos dizer: ele(a) NÃO tem problema.





O PODER DA VÍRGULA

5 12 2009


A vírgula pode ser uma pausa… ou não.

Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.

Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.

Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

Já que todos são contra eu não sou a favor.
Já que todos são contra, eu não, sou a favor.





OS 100 ERROS MAIS COMUNS DE LÍNGUA PORTUGUESA

23 08 2009

portugues

Erros gramaticais e ortográficos devem ser evitados , veja os mais comuns:

 1 – “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 – “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 – “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 – “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

5 – Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 – Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 – “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 – “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 – “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 – “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 – Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 – Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 – O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 – Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).

15 – Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 – Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 – Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 – “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 – “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 – Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 – Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22 – Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 – Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 – O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 – A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 – Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 – “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 – Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 – A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30 – Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou… O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto… / Como as pessoas lhe haviam dito… / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31 – O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).

32 – Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33 – “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34 – O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35 – Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36 – “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37 – A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38 – A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39 – Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40 – Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41 – Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42 – “Cerca de 18″ pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43 – Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 – Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 – Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46 – Lute pelo “meio-ambiente”. Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47 – Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 – O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao“) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos“) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao“) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao“) Procon.

49 – As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 – Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).

51 – Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 – Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 – A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos.

54 – Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 – Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 – Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 – O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 – À medida “em” que a epidemia se espalhava… O certo é: À medida que a epidemia se espalhava… Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 – Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 – Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 – A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 – Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 – Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 – Fique “tranquilo”. O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 – Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 – “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 – Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68 – Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 – Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”).

70 – Vou sair “essa” noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 21).

71 – A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 – A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 – Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 – Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 – Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 – Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 – Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.

78 – Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc.

79 – Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 – O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 – A tese “onde”… Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que… / A faixa em que ele canta… / Na entrevista em que…

82 – Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 – Venha “por” a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84 – “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 – A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 – Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 – O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88 – Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 – “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).

90 – A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).

91 – O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 – “Haja visto” seu empenho… A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 – A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 – É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado… / Depois de esses fatos terem ocorrido…

95 – Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).

96 – Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 – A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg.

98 – “Dado” os índices das pesquisas… A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas… / Dado o resultado… / Dadas as suas idéias…

99 – Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 – “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

Fonte: http://www.culturatura.com.br/





AMBIGUIDADE

29 07 2009

Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases, proposições ou textos.

Alguns exemplos:

1. O cadáver foi encontrado perto do banco.

- Não sabemos se o cadáver foi encontrado perto de uma casa bancária ou ao lado de um banco de jardim. A ambiguidade nasce da palavra banco, que pode ser usada em diferentes acepções.

2. Pedro pediu a José para sair.

- Neste caso, a ambiguidade não nasce de uma palavra de duplo sentido, mas, sim, da própria estrutura da frase. Que idéia a frase expressa: a) Pedro pediu permissão a José para sair um pouco ou b) Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco?

3. O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz.

- As palavras de quem convenceriam o juiz: do réu ou do advogado?

4. Crianças que comem doce frequentemente têm cáries.

- A posição do adjunto adverbial complica tudo na frase: as crianças têm cáries porque comem doce com frequência ou há mais probabilidade de ocorrerem cáries em crianças que comem doces?

 

RECURSO ESTILÍSTICO

A ambiguidade, contudo, nem sempre é um erro de expressão ou um vício de linguagem. Em literatura, o texto pode ser polissêmico, ou seja, apresentar multiplicidade de sentidos.

O professor Berthold Zilly, tradutor de Machado de Assis na Alemanha, cita, em uma entrevista, exatamente essa qualidade do texto machadiano: “Ele [Machado de Assis] é notório pelas suas expressões e frases ambíguas. Há pouco, por exemplo, estive refletindo sobre uma frase do livro [Memorial de Aires]. O narrador diz: ‘Já tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois não estou’. O que ele quer dizer com ‘gasto’? Acostumado, cansado, insensível – acho que é por aí. Mas não é o sentido normal da palavra, não é o convencional. E ele reiteradamente usa palavras fora do seu sentido convencional. Praticamente a cada duas frases há uma dificuldade semelhante. Não se sabe também 100% o que ele quer dizer, há várias interpretações”.

 

 

  Semântica, Rodolfo Ilari & João Wanderley Geraldi, Editora Ática, 7ª edição, 1995.

  A estilística, José Lemos Monteiro, Editora Ática, 1991.

  “Ambiguidade dificulta tradução de Machado, diz tradutor alemão”

 

 

FONTE: http://vestibular.uol.com.br





FIGURAS DE SINTAXE

27 07 2009

Quando escrevemos, buscamos maneiras de exprimir nosso pensamento. Para tanto, utilizamos diferentes recursos, dentre eles, as figuras de sintaxe, ou seja, diferentes formas de se construir as frases:

  • Pleonasmo: superabundância de palavras para enunciar uma ideia:

    a) quando se procura reproduzir a fala popular:
    Entra pra dentro, Carlinhos. ” (José Lins do Rego)

    b) emprego do adjetivo como epíteto de natureza:
    “E a Noite sou eu própria! A Noite escura!! (Florbela Espanca)

    Objeto pleonástico:

    a) Para dar realce ao objeto direto, é costume colocá-lo no início da frase e, depois, repeti-lo com a forma pronominal o (a, os, as):
    Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.” (Mário Quintana)

    b) O pronome lhe também pode reiterar o objeto indireto:
    Ao homem mesquinho basta-lhe um burrinho.

    c) Para ressaltar o objeto (direto ou indireto), usa-se fazer acompanhar um pronome átono da correspondente forma tônica regida da preposição a:
    A mim não me enganas tu.” (Miguel Torga)

  • Hipérbato: utilizando-se a intercalação de um membro frásico, separam-se palavras que pertencem ao mesmo sintagma:
    Que arcanjo teus sonhos veio
    Velar, maternos, um dia?
    ” (Fernando Pessoa)
  • Anástrofe: inversão que consiste na anteposição do determinante (preposição + substantivo) ao determinado:
    Vingai a pátria ou valentes
    Da pátria tombai no chão!
    ” (Fagundes Varela)

    (Observação: gramáticos e teóricos de literatura têm diferentes definições para “hipérbato” e “anástrofe”, o que tem levado a se fazer uma classificação mais geral, unindo as duas figuras sob o termo de “inversão”.)

Elipse: omissão de termos ou expressões que ficam subentendidos na frase:

1) Elipse como processo gramatical:

a) Elipse do sujeito:
Maria foi até o quarto. Acendeu a luz, olhou a cama vazia.

b) Elipse do verbo:
Um hipócrita. Até quando sincero, um hipócrita.

c) Elipse de preposição:
Miguel foi atrás dela, mãos nos bolsos, falando calmo.”
(Luandino Vieira)

d) Elipse da preposição de antes da integrante que introduz as orações objetivas indiretas e as completivas nominais:
Uma vez certa que morria, ordenou o que prometera a si mesma.” (Machado de Assis)

e) Elipse da conjunção integrante que:
Não cuideis seja a masmorra…
Não cuideis seja o degredo…

(Cecília Meireles)

2) Elipse como processo estilístico (trata-se de um recurso condensador da expressão):

a) na descrição esquemática de ambientes, de estados de alma, de perfis:
E o trabalho, as esperanças perdidas, a magreza, a fome de todo o ano. Sezões e tifos. Sonhos e raivas encobertos em xales e saias escuras, em fatos de bombazina de contrabando, gente de luto.” (Fernando Namora)

b) em anotações rápidas:
Poucos feridos. Rara gente de luto. Nenhuma tristeza. Muitos espetáculos. Cafés do centro, cheios.” (Mário de Sá-Carneiro)

c) na enunciação de pensamentos condensados, ditos sentenciosos ou irônicos:
– Meu dito, meu feito.” (Machado de Assis)

d) nas enumerações:
Jantares, danças, luminárias, músicas, tudo houve para celebrar tão fausto acontecimento.” (Machado de Assis)

 

  • Zeugma: é uma forma de elipse. O termo utilizado em um enunciado participa de outro, mas sem estar expresso:
    A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.” [Entenda-se: Os altares eram humildes.] (Carlos Drummond de Andrade)
  • Prolepse (ou antecipação) : deslocação de um termo de uma oração para outra que a preceda:
    - O próprio ministro dizem que não gostou do ato.” (Machado de Assis)
  • Sínquise: inversão violenta das palavras de uma frase:
    Da fonte dos meus olhos nunca enxuta
    A corrente fatal, fico indeciso,
    Ao ver quanto em meu dano se executa.
    ” (Cláudio Manuel da Costa)

    Em ordem direta, teríamos: “Ao ver quanto se executa em meu dano, fico indeciso [perante] a corrente fatal da fonte dos meus olhos [que] nunca [está] enxuta.

  • Assíndeto: vigoroso processo de encadeamento do enunciado, que exige do leitor uma atenção maior no exame de cada fato:
    A barca vinha perto, chegou, atracou, entramos. ” (Machado de Assis)
  • Polissíndeto: é o contrário do assíndeto, ou seja, emprego reiterado de conjunções coordenativas, especialmente das aditivas:
    O quinhão que me coube é humilde, pior do que isto: nulo. Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo. “(Otto Lara Resende)
  • Anacoluto: mudança de construção sintática no meio do enunciado, geralmente depois de uma pausa sensível:
    Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas, de tão imprestáveis. “(José Lins do Rego)
  • Silepse: concordância que se faz não com a forma gramatical das palavras, mas com o seu sentido, com a ideia que elas expressam:

    a) Silepse de número:
    Deu-me notícias da gente Aguiar; estão bons. ” (Machado de Assis)

    b) Silepse de gênero:
    V. Ex.ª parece magoado” (Carlos Drummond de Andrade)

    c) Silepse de pessoa:
    Sós os quatro velhos – o desembargador com os três – fazíamos planos futuros. ” (Machado de Assis)

    No fundo a gente se consolava, pensávamos em nós mesmos. ” (Autran Dourado)

  • Anáfora: repetição de palavras ou expressões no início de versos ou frases:
    Como no tanque de um palácio mago
    Dois alvos cisnes na bacia lisa,
    Como nas águas que o barqueiro frisa,
    Dois nenuferes sobre o azul do lago [...]

    (Castro Alves)

 

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INTERTEXTUALIDADE

27 07 2009

A expressão intertextualidade se refere, basicamente, à influência de um texto sobre outro. Na verdade, em diferentes graus, todo texto é um intertexto, pois, ao escrever, estabelecemos um diálogo – às vezes inconsciente, às vezes não – com tudo o que já foi escrito. Assim, cada texto é como um elo na corrente de produções verbais; cada texto retoma textos anteriores, reafirmando uns e contestando outros.

Quando a intertextualidade é intencional, ela pode se manifestar em diferentes níveis. Vejamos cada um deles:

  • Epígrafe: é um fragmento de texto que serve de lema ou divisa de uma obra, capítulo, ou poema. Costuma existir um vínculo entre a epígrafe e o texto que vem abaixo dela; nesses casos, a epígrafe dá apoio temático ao texto – ou resume o sentido, a motivação dele. Massaud Moisés observa que o exame atento das epígrafes pode “nos fornecer uma ideia da doutrina básica de um poeta ou romancista, o seu nível intelectual etc.”.
  • Citação: é a frase ou passagem de certa obra que um autor reproduz (com indicação do autor original) como complementação, exemplo, ilustração, reforço ou abonação daquilo que ele pretende dizer ou demonstrar.
  • Alusão: é toda referência, direta ou indireta, propositada ou casual, a certa obra, personagem, situação etc., pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico etc. No geral, a alusão insere a obra que a contém numa tradição comum julgada digna de preservar-se. Camões, por exemplo, ao dizer, em Os Lusíadas, “cessem do sábio Grego e do Troiano / As navegações grandes que fizeram”, alude a Ulisses (herói da Odisseia) e Eneias (herói da Eneida).
  • Paráfrase: é a interpretação, explicação ou nova apresentação de um texto (ou parte dele) com o objetivo de ou torná-lo mais inteligível ou sugerir um novo enfoque para o seu sentido. Veja, por exemplo, o poema abaixo, de Carlos Drummond de Andrade, no qual o poeta parafraseia o poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias:

    Europa, França e Bahia

    Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
    Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
    Os cais bolorentos de livros judeus
    e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

    O pulo da Mancha num segundo,
    Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.
    Tarifas bancos fábricas trustes craques.
    Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas
    [formam um tapete para Sua Graciosa Majestade Britânica pisar. E a lua de Londres como um remorso.

    [...]

    Chega!
    Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
    Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
    Eu tão esquecido de minha terra…
    Ai terra que tem palmeiras
    onde canta o sabiá!

  • Paródia: trata-se de uma composição literária que imita, cômica ou satiricamente, o tema ou/e a forma de uma obra séria. O intuito da paródia consiste em ridicularizar uma tendência ou um estilo que, por qualquer motivo, se torna conhecido ou dominante. Como exemplo, o poema “Canto de Regresso à Pátria”, de Oswald de Andrade, que parodia a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias:

    Minha terra tem palmares
    Onde gorjeia o mar
    Os passarinhos daqui
    Não cantam como os de lá

    Minha terra tem mais rosas
    E quase que mais amores
    Minha terra tem mais ouro
    Minha terra tem mais terra

    Ouro terra amor e rosas
    Eu quero tudo de lá
    Não permita Deus que eu morra
    Sem que volte para lá

    Não permita Deus que eu morra
    Sem que volte pra São Paulo
    Sem que veja a Rua 15
    E o progresso de São Paulo

  • Tradução: traduzir consiste em passar um texto (ou parte dele) escrito numa determinada língua para o equivalente em outra língua. Na opinião de alguns estudiosos, a tradução pode ser estudada no âmbito da intertextualidade, pois é uma forma de recriação a partir de um texto-fonte.
  • Pasticho (ou pastiche): imitação servil e grosseira de uma obra literária.

    Fonte:  http://educacao.uol.com.br/
    Dicionário de termos literários, Massaud Moisés, Editora Cultrix, 7ª edição, SP.





VÍRGULA ANTES DE “MAS”

27 07 2009

 

Da Folha de S. Paulo

 

Vírgula antes de “mas”

  • “A estratégia foi revista mas (!) os benefícios ainda são pequenos.”
  • “A estratégia foi revista, mas os benefícios ainda são pequenos.”

    Sempre há vírgula antes de mas quando essa conjunção equivale a porém, contudo, todavia.

    Única exceção: quando o mas soma elementos de mesma função, não é precedido de vírgula (por exemplo: “Não só ele mas também o filho saíram à procura do deputado”, frase que equivale a “Ele e o filho saíram à procura do deputado”).





CATACRESE É ESPÉCIE DE METÁFORA OBRIGATÓRIA

27 07 2009

 

Engavetar é pôr em gaveta, envasar é pôr em vaso, encaixar é pôr em caixa, engarrafar é pôr em garrafa. Muitas vezes, porém, usa-se o verbo encaixar para dizer que uma coisa pode ser intercalada entre outras ou cabe perfeitamente em algum espaço. Engarrafamento pode ser de bebidas, mas também de veículos. A relação de similaridade entre as imagens garante o entendimento imediato do novo significado do termo.

A essa extensão de sentido baseada na analogia chamamos catacrese, espécie de metáfora obrigatória. Metáfora por nascer do princípio da comparação, mas “obrigatória” por ceder antes a um imperativo de uso que a necessidades expressivas. Pode ocupar o lugar de uma palavra faltante (embarcar no avião) ou substituir um termo exato ou técnico por um menos formal (barriga da perna em vez de panturrilha, céu da boca em vez de palato).

Muitas dos casos de catacrese associam-se às partes do corpo humano: olho do furacão ou olho da rua; boca do túnel ou da garrafa; braço de poltrona ou de cadeira; perna de mesa; pé de mesa, de cama, de montanha, de página etc.; cabelo do milho; pele do tomate; dente de alho. A cara pode indicar o conjunto de características gerais de alguma coisa: a cara do lugar, a cara da cidade. O corpo pode ser a parte central de um texto ou de um edifício, por exemplo.

De feição nitidamente popular, a catacrese nasce do apagamento da etimologia da palavra. A relação de semelhança –própria da metáfora– prevalece, mas desprovida de intenção poética.

Tão comuns, tais expressões, em sua maioria, são usadas no dia-a-dia: maçã do rosto, batata da perna, folha de papel, banana de dinamite, coração da floresta, coroa do abacaxi, leito do rio, casca do pão, raiz do problema, asa da xícara, cabeça de prego.

É ainda o princípio da catacrese que está na origem da palavra pé-de-galinha, com a qual nomeamos as pequenas rugas que, com o tempo, vão contornando os olhos. Não raro, lançamos mão desse recurso da língua. É comum ouvir dizer, por exemplo, que se deve eliminar a gordura de um texto quando se quer dizer que precisa ser resumido.

A catacrese tem sua eficácia assegurada pela possibilidade de analogia, mas a ausência de polissemia e de originalidade a distancia da fertilidade da metáfora.

 

 

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CONCORDÂNCIA NOMINAL

27 07 2009

Equívocos de concordância nominal prejudicam a clareza e a leitura de um texto. Dos casos mais simples aos mais complexos, o professor Pasquale mostra como escrever e falar corretamente respeitando as regras gramaticais do idioma no volume “Concordância Nominal” da série “Português com o Professor Pasquale”, da Publifolha.

1) Adjetivo ou pronome modificando apenas um substantivo

O princípio básico é claro: as palavras que modificam o substantivo – adjetivos, pronomes, numerais, artigos – devem concordar em número e gênero com esse substantivo.

Seus pés estão gelados!
Há razões bastantes para denunciá-lo.
Minha lapiseira é amarela.
Nossos filhos cresceram saudáveis.

Nessas frases, é claro e facilmente compreensível o mecanismo de concordância nominal nos seguintes pares:

seus pés (pronome + substantivo)
pés gelados (substantivo + adjetivo)
minha lapiseira (pronome + substantivo)
lapiseira amarela (substantivo + adjetivo)
nossos filhos (pronome + substantivo)
filhos saudáveis (substantivo + adjetivo)
razões bastantes (substantivo + adjetivo)

2) Adjetivo ou pronome modificando dois ou mais substantivos

Vejamos agora casos em que as palavras adjetivas se referem a dois ou mais substantivos. Quando vêm antes dos substantivos, os adjetivos e os pronomes normalmente concordam com o substantivo mais próximo:

Os pássaros sobrevoavam belos campos e lagoas.
Os pássaros sobrevoavam belas lagoas e campos.
Seu futuro e passado são grandes incógnitas.
Nossa moto e carro vivem na garagem.
Que belas pernas e olhos!
Que belo nariz e boca!

Quando se relaciona com dois (ou mais) nomes próprios, o adjetivo anteposto vai para o plural:

O Santos daquele tempo tinha os imprevisíveis Pelé e Coutinho; o Palmeiras, os inseparáveis Dudu e Ademir.
A seleção de 82 contava com os geniais Sócrates, Falcão e Zico.

Isso também vale para substantivos que indicam parentesco. Observe:

Conheci as belas mãe e filha.
Eram parecidíssimos o tio e a sobrinha.
Andavam preocupados pai e mãe.

Fonte: www.folha.com.br –  Folha Online 21/01/2008 – 09h13





VIRGULA – quando usar, ou não

27 07 2009

OS PRINCIPAIS CASOS DE USO DA VÍRGULA

Vírgula proibida Exemplo
Entre sujeito e predicado ou entre predicado e sujeito O ministro das Relações Exteriores da França está em Brasília/
Está em Brasília o ministro das Relações Exteriores da França.
Entre verbo e seu(s) complemento(s) O presidente disse aos governadores que não aceita a proposta; O ministro informou aos jornalistas que não participará da entrevista; O ministro apresentou todos os projetos de privatização aos investidores presentes.
Vírgula obrigatória Exemplo
Depois de orações adverbiais antepostas Se não chover, haverá jogo;
Quando a economia entrou em colapso,o ministro renunciou; Ao deixar o governo, o prefeito voltará a dar aulas na universidade.
Antes do que que introduz oração explicativa Nosso time, que ganhou o torneio neste ano, foi vice dessa competição em 55 e 56.
Quando há elipse do verbo Os cariocas preferem praia; os paulistas, shopping.
Para separar conjunções contíguas Irá a São Paulo, mas, se não receber o cachê antes, não cantará; Disse que, quando for a Brasília, tentará uma audiência com o presidente.
Antes de mas (com sentido de porém), porém, contudo, entretanto, todavia, portanto, por isso etc Jogou bem, mas perdeu; Estudou, porém foi reprovado; O acordo não será renovado, portanto os empregos serão mantidos.
Antes de e que introduza oração de sujeito diferente do da anterior, se, sem a vírgula, houver a possibilidade de entender o sujeito da segunda oração como complemento do verbo da primeira Fifa pune Maradona, e Pelé recebe prêmio.
Para separar adjuntos adverbiais de natureza diferente Ontem à noite, no Pacaembu, sem sete titulares, sob chuva forte, o Corinthians derrotou o Juventude.
Vírgula optativa Exemplo
Com expressões adverbiais breves, antepostas ou intercaladas O São Paulo enfrenta neste sábado mais um desafio (ou O São Paulo enfrenta, neste sábado, mais um desafio); O governador participará em Brasília de uma reunião com o ministro da Fazenda (ou O governador participará, em Brasilia, de uma reunião com o ministro da Fazenda).
Depois de no entanto, entretanto, por isso, porém, contudo, portanto, todavia, quando essas palavras ou expressões iniciarem o período No entanto o presidente deixou claro que não aceitará a proposta da oposição (ou No entanto,o presidente deixou claro que…).
Atenção: essa opção não existe quando essas palavras ou expressões não iniciarem o período O presidente aceita participar da reunião, no entanto avisa que não aceitará a proposta da oposição.
Antes de orações adverbiais de alguma extensão que venham depois da principal O prefeito deixará o partido se a Câmara aprovar a CPI sobre títulos públicos (ou O prefeito deixará o partido, se a Câmara aprovar a CPI dos títulos públicos);
O jogador não disputará a próxima partida porque foi suspenso pelo Tribunal de Justiça da CBF (ou O jogador não disputará a próxima partida, porque foi suspenso pelo Tribunal de Justiça da CBF).

Fonte: http://educacao.uol.com.br/





A VIRGULA

15 06 2009

 pontuacao

Julio Cortázar escrevia:  ‘A vírgula, essa porta giratória do pensamento’

Leia e analise a seguinte frase:

‘Se o homem soubesse realmente o valor que tem a mulher andaria em
quatro patas em sua busca’.

Se você é mulher, com  toda certeza colocaria a vírgula depois da
palavra mulher.
Se você é homem, com  toda certeza colocaria a vírgula depois da palavra tem.