11 03 2013

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“… é que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer.Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois… Seria, pois, necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?”

Eça de Queiroz





31 01 2013

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“Mas ao contrário daquela vez não sentiu agora a comoção do amor e sim o abismo do desencanto.
Num instante teve a revelação completa da magnitude do próprio engano, e perguntou a si mesma, aterrada, como tinha podido incubar durante tanto tempo e com tanta ferocidade semelhante quimera no coração.”

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA, Gabriel García Márquez




15 01 2013
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“Nunca é tarde demais ou cedo demais para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Comece quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso. Você pode tirar o máximo proveito ou o mínimo. Espero que tire o máximo. Espero que veja coisas surpreendentes. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo.”
O Curioso Caso de Benjamin Button




14 01 2013

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“Dançarás – disse o anjo
Dançarás com teus sapatos vermelhos
Dançarás de porta em porta
Dançarás, dançarás sempre”.

(Os Sapatinhos Vermelhos, Andersen)





8 01 2013

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“Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá. (..) Você é os direitos que têm, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.”

(Martha Medeiros)





O PEQUENO PRÍNCIPE – Antoine De Saint-Exupéry

4 10 2011

Capítulo IV -

(…) As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: « Qual é o som da sua voz ? Quais os brinquedos que preferem ? Será que ele coleciona borboletas ? ». Mas perguntam : « Qual a sua idade ? Quantos irmãos ele têm ? Quanto pesa ? Quanto ganha seu pai ? ». Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dissermos às pessoas grandes: « Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado… » elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: « Vi uma casa de seiscentos contos ». Então elas exclamam: « Que beleza ! » 

Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o príncipezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existem” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.

Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer:

« Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo… » Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.

Porque eu não gosto que leiam meu livro levianamente. Dá-me tanta tristeza narrar essas lembranças! Faz já seis anos que meu amigo se foi com seu carneiro. Se tentar descrevê-lo aqui, é justamente porque não o quero esquecer. É triste esquecer um amigo. Nem todo o mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números. Foi por causa disso que comprei uma caixa de tintas e alguns lápis também. É duro pôr-se a desenhar na minha idade, quando nunca se fez outra tentativa além das jibóias fechadas e abertas dos longínquos seis anos! Experimentarei, é claro, fazer os retratos mais parecidos que puder. Mas não tenho muita esperança de conseguir. Um desenho parece passável; outro, já é inteiramente diverso. Engano-me também no tamanho. Ora o príncipezinho está muito grande, ora pequeno demais. Hesito também quanto à cor do seu traje. Vou arriscando então, aqui e ali. Enganar-me-ei provavelmente em detalhes dos mais importantes. Mas é preciso desculpar. Meu amigo nunca dava explicações. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.

http://www.cirac.org/Principe/Ch4-pt.htm





Rubem Alves

3 08 2011

“Alma é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora.”

Rubem Alves





Por Hilda Hilst…

30 06 2011

“Se o tempo no teu rosto te cobrisse de rugas, se tivesse a dura e adocicada comunhão com as coisas, talvez sim tu serias mais bela porque o rosto adquire a refulgência e dor e maravilha e matéria de tudo o que te rodeia te penetra, e ao invés de gastares teu ouro no apagar das linhas finas e dos sulcos, tu te tocarias amante, mansa, sabendo que o vestígio de todas as solidões se fez presença no teu rosto, que o sofrido da água é cicatriz agora ao redor da tua boca, que tomaste para tua fronte a linha funda da pedra.”

Hilda Hilst





Clarice Lispector

28 06 2011

“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora”.





Gabriel Garcia Marquez

20 06 2011

“Acabavam de celebrar as bodas de ouro matrimoniais, e não sabiam viver um instante sequer um sem o outro, ou sem pensar um no outro, e o sabiam cada vez menos à medida que recrudescia a velhice. Nem ele nem ela podiam dizer se essa servidão recíproca se fundava no amor ou na comodidade, mas nunca se haviam feito a pergunta com a mão no peito, porque ambos tinham sempre preferido ignorar a resposta!”

Gabriel Garcia Marquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”
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“Acabou pensando nele como jamais imaginara que se pudesse pensar em alguém, pressentindo-o onde não estava, desejando-o onde não podia estar, acordando de súbito com a sensação física de que ele a contemplava na escuridão enquanto ela dormia, de maneira que na tarde em que sentiu seus passos resolutos no tapete de folhas amarelas da pracinha custou a crer que não fosse outro embuste da sua fantasia”

Gabriel Garcia Marquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”
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“Ambos eram conscientes de ter tão poucas coisas em comum que nunca sentiam-se mais sozinhos que quando estavam juntos, mas nenhum dos dois havia se atrevido a magoar os encantos do hábito. Precisaram de uma comoção nacional para perceber, ao mesmo tempo, o quanto haviam se odiado, e com quanta ternura, durante tantos anos”

Gabriel Garcia Marquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”
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“Ele tinha consciência de que não a amava. Casara-se porque gostava da sua altivez, sua seriedade, sua força e também por um tico de vaidade, mas enquanto ela o beijava pela primeira vez teve a certeza de que não haveria nenhum obstáculo para inventar um bom amor. Não falaram a respeito nessa primeira noite em que falaram de tudo até o amanhecer, nem falariam nunca. Mas de um modo geral, nenhum dos dois se equivocou”

Gabriel Garcia Marquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”
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- “No curso dos anos ambos chegaram por caminhos diferentes à conclusão sábia de que não era possível morar juntos de outro modo, nem se amarem de outro modo: nada neste mundo era mais difícil do que o amor”

- “E estava convencido na solidão de sua alma de haver amado em silêncio muito mais do que alguém jamais amara neste mundo”

- “Hoje, ao vê-lo, descobri que só nos unia uma ilusão”

- “É feio e triste – disse a Fermina Daza – mas é todo amor”

- “Aproveite agora que você é jovem para sofrer o mais que puder – lhe dizia – que estas coisas não duram toda a vida”

- “Aparecia como aquilo que era: uma armadilha da felicidade que o entediava e atraía ao mesmo tempo, mas da qual era impossível escapar”

- “Nem ele nem ela tinham vida para nada que não fosse pensar no outro, para sonhar com o outro, para esperar as cartas com a mesma ansiedade com que as respondiam”

Gabriel Garcia Marquez, em “O Amor nos Tempos do Cólera”
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João Guimarães Rosa

18 06 2011

 

“Também, não sei: Eu hoje cansei… Vem um dia em que a gente fica frouxo e arreia…”

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.”

João Guimarães Rosa





ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

27 05 2011

“Não a devia ter escutado – confessou-me um dia – não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido…”

Confessou-me ainda:

“Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava… Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.”

 Antoine De Saint-Exupéry





(…) Clarice Lispector

24 05 2011

Ela uma vez vira uma amiga inteiramente de coração torcido e doído e doido de forte paixão. Então não quisera nunca a experimentar. Sempre tivera medo das coisas belas demais ou horríveis demais: e que não sabia em si como responder-lhes e se responderia se fosse igualmente bela ou igualmente horrível. Estava assustada como quando vira sorriso de Mona Lisa, ali à sua mão no Louvre. Como se assustara com o homem da ferida ou com a ferida do homem. [...].

“A bela e a fera ou A ferida grande demais”, Clarice Lispector





É CURTA – Lygia Fagundes Telles

19 05 2011

- E agora? O que acontece quando não se tem mais nada com o amor? 
- Sopra o vento e a gente vira outra coisa.
- Que coisa?
- Sei lá. Não quero é voltar a ser gente, eu teria que conviver com as pessoas – ele murmurou. – Queria ser um passarinho, vi um dia um passarinho bem de perto e achei que devia ser simples a vida de um passarinho de penas azuis, os olhinhos lustrosos. Acho que queria ser aquele passarinho.
- Nunca me teria como companheira, nunca. Gosto de mel, acho que quero ser borboleta. É fácil a vida de borboleta?
- É curta.

Lygia Fagundes Telles