Macunaima

Autor: Mário de Andrade

 

SINOPSE: Anti-herói é esta personagem de igual nome ao título. A crítica de Mario de Andrade a uma sociedade que, formada de três raças, distintas consegue ter preconceitos contra ela mesma. Não deixe de ler esta grande obra onde realidade e fantasia se misturam formando uma composição única.

 

 

 

ALGUNS PONTOS QUE FORAM CITADOS EM SALA DE AULA 

 

Mário de Andrade é um estudioso da literatura, música e folclore. Através de pesquisas busca elementos acentuadamente brasileiros, reuniu diversos materiais escritos e falados para escrever a obra de forma mesclada, envolvendo todas as regiões brasileiras, retratando as lendas e mitos de nosso folclore indígena. Nacionalista – tenta resgatar a língua brasileira, uma vez que dava o maior destaque a linguagem popular.

A obra Macunaíma é considerada uma rapsódia devido a variedade de gêneros literários presentes na obra:

 

1.      Epopéia: fala da criação do herói;

2.      Crônica: palavras bem despojadas;

3.      Paródia: imitação dos estilos.

 

Não podendo ser classificado como romance, pois não apresenta as características tradicionais do romance, como: coerência lógica de tempo, lugar, ação e personagens. Nasce negro depois vira branco.

 

 

CARACTERÍSTICAS DO MODERNISMO EM MACUNAÍMA.

 

1.     Espaço real x imaginário = rompe critérios de tempo e espaço, por esse motivo pode realizar aquelas fugas espetaculares e assombrosas, que da capital de SP foge para as fronteiras do Mato Grosso e logo está no Amazonas, e assim por diante, as fugas são variadas, faz uma espécie de zigue-zague no tempo. Passa por quase todos os Estados do Brasil, numa espécie de magia.

 

2. Destruir e fazer escândalos: Macunaíma é um livro violentado não só na sua estrutura como também nos aspectos lingüísticos. Na estrutura, o livro não apresenta coerência no que se refere ao tempo, lugar, ações e personagens. No aspecto lingüístico a carta, escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e falada. (…) falam numa língua e escrevem noutra.”

 

Macunaíma é um herói sem caráter: mentiroso, traira, ladrão, vingativo, egoísta, quer levar vantagem em tudo, é guiado pelo prazer, pelo medo e pelo oportunismo. Macunaíma não tem um caráter definido, em suas viagens, passa por diversas metamorfoses para se beneficiar. Ex.: Cabeça de criança com corpo de adulto para poder ter relações sexuais.

 

 

EXPRESSÕES MARCANTES DA OBRA

 

Ai que preguiça = apatia. Nessa expressão o autor procurar mostra o perfil da maioria dos brasileiros. A natureza apática, falta de ânimo, preguiçoso e acomodado. “(…) feriado novo inventado para os brasileiros descansarem.” A frase “Ai que preguiça“ é repetida por todo o livro, e o herói sempre pronunciava nas dificuldades que encontrava.

 

Brincar = sexualidade. É a expressão do ato sexual: prazer do sexo, sem pensar na procriação. Brincar no sentido lúdico, erótico e brincadeira  de carnaval. Existência de piadinhas indecorosas bem próprias do gosto brasileiro.

 

Formação das raças = complexo racial. Desde o primeiro capítulo se evidencia o complexo racial, mas onde fica mais claro é na passagem do poço encantado. Macunaíma sem perceber tomou banho em uma água encantada e se transformou em um rapaz loiro de olhos azuis: branco; os irmãos também entraram na água, porém, como já suja do negrume do herói, Jiguê ficou vermelho: índio, e Maanape só molhou as palmas das mãos que ficaram mais claras: negro. Mário de Andrade reúne os três tipos fundamentais da formação da raça brasileira: índio, negro e branco.

 

Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são = subdesenvolvimento. O autor reprova as diferenças de classes sociais presentes no país.

 

Falam numa língua e escrevem noutra = Língua Portuguesa. A grande sátira em Macunaíma é a Língua Portuguesa, principalmente no seu aspecto escrito. A carta escrita por Macunaíma, satiriza o distanciamento entre a língua escrita e a falada. Faz uma sátira: português do jeito que o brasileiro fala.

 

Valorização da língua falada = discurso direto livre. Uso da linguagem cotidiana, de frases e palavras usuais; concordância, regência, colocação e construções irregulares e arcaicas. A maioria chamada de “erros” de linguagem, palavras que caíram em desuso.

 

Gigante Piaimã: representa o elemento estrangeiro, civilizado e superior que vai dominando a pobre nação subdesenvolvida e fraca. O herói transforma-se numa princesa linda para negociar o talismã com o gigante, mas este se apaixona e quer possuí-lo antes de entregar a pedra. Nessa passagem existe uma crítica de que o brasileiro só valoriza aquilo que é de fora.

 

Descentralização da cultura: um dos pontos que podemos destacar é a “língua” – o vocabulário regional de todos os pontos do Brasil.

 

Busca do subconsciente e inconsciente: não se pode entender Macunaíma em termos de lógica – é uma expressão do mundo inconsciente.

 

Carta: com intuito de conseguir dinheiro para se manter em São Paulo, escreve uma carta com um vocabulário requintado e relata suas aventuras e de seus irmãos em São Paulo. Nesse caso, o autor faz algumas críticas: aos parnasianos- escola literária em que os poetas se preocupavam com a precisão das palavras, procuravam obter um vocabulário adequado ao tema de cada poema; aos políticos- que só lembram dos súditos quando precisam de dinheiro; à literatura escrita: tão formal que somente a elite consegue entender.

 

Processo antropofágico: conhecer todos os tipos de cultura, aquilo que é bom e se encaixa em meu país fica em mim,  e o que é ruim, é expelido, jogado fora.

 

MACARRONADA ANTROPOFÁGICA (com carne humana): Macunaíma empurrou o gigante dentro da macarronada (comida italiana) e matou o comedor de gente, recuperou sua pedra e voltou para o mato. Comendo a carne do herói ele adquire suas qualidades boas, e as ruins são expelidas do corpo de alguma forma.

 

Influência de Freud: Sexo incestuoso, sexo na infância.

 

Violência sexual: Macunaíma força Ci, mãe do mato, a transar com ele. Deu-lhe uma paulada na cabeça e a desmaiou,  e assim ele brincou com a mãe do mato, mas depois acabam se apaixonando.

 

METÁFORA do episódio: quando os europeus invadiram o Brasil, no primeiro momento não aceitamos, fomos forçados, mas depois acabamos gostando.

 

Macunaíma tem um filho com Ci: uma cobra preta envenenou o leite de Ci e quando o filho foi mamar morreu envenenado. No túmulo do filho nasce um pé de guaraná. Ci, neste dia, deixa um talismã para Macunaíma e depois se transforma numa estrela de constelação. Macunaíma perde a pedra e o passarinho conta que está com o gigante, em São Paulo, e o herói vai atrás dele para retomar o que lhe pertence.

Chegando em São Paulo, tudo era estranho, telefone para ele era um bicho, mas logo se adaptou, aos poucos foi aprendendo os nomes das coisas e aprendeu a usar bem os objetos.

 

 

No fundo do mato virgem: é uma metáfora do país ainda inexplorado.

 

Papagaio: é o próprio Mário de Andrade que conta às aventuras de Macunaíma.

 

 

INTERTEXTUALIDADES:

 

1.      TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA x MACUNAÍMA:

 

Ambas possuem uma característica predominante: verdadeiros heróis em busca de suas raízes brasileiras. Macunaíma vive na selva amazônica, já Policarpo planta árvores e plantas nacionais, percorre diferentes  partes do país para resgatar as raízes e a cultura brasileira.

 

 

2.      IRACEMA  x MACUNAÍMA:

 

 Paródia crítica: Mário de Andrade faz uma paródia crítica em relação a índia de Jose de Alencar. A índia de JAl (IRACEMA) não é real, é européia com algumas características físicas de índio.

16 respostas

15 03 2009
valdir santos

Macunaíma não é uma leitura nada fácil, agora pude entender um pouco melhor. Obrigado.

12 09 2009
sueli

oi estou com muita dificudades para achar parodias, ditos populares neologismos e principalmente rupturas com ortografia oficial da obra Macunaima

13 09 2009
Palavras Rabiscadas

Olá Sueli, boa tarde!

Pontos interessantíssimos citados por você, “deveríamos” ter analisado isso em sala de aula. Com seu questionamento percebi que o livro leva-nos (pode nos levar) a um estudo mais intenso. Vamos ver se eu posso te ajudar com algumas dicas, pois para fazer um bom trabalho é preciso se aprofundar em cada tópico: ler o livro, pesquisar sobre o assunto, enfim.

PARÓDIA: Carta pras Icamiabas (Capitulo IX) é uma paródia à Carta de Pero Vaz de Caminha, por exemplo. É uma carta irônica, uma sátira a linguagem padrão, na carta há uma tentativa de linguagem culta (ridiculariza as normas da Língua Portuguesa). Isso superficialmente falando, é preciso trabalhar a questão. Investigue sobre o assunto, você vai entender melhor.

NEOLOGISMO: Ele faz uso de uma nova linguagem, fere totalmente a padrão. São populares pq a mudança da língua portuguesa começa de baixo para cima, vem do povo. Com as diferentes formas de falar, (variedade lingüística), ou mesmo as gírias criadas, é que se dá a transformação da língua. Se tais palavras forem consideradas apropriadas, com o tempo serão autorizadas por grandes estudiosos a fazer parte da nossa língua, como sendo “correta”. Por isso nossa língua é viva, ela está sempre em processo de modificação. Algumas palavras se tornam arcaicas, enquanto outros novos vocábulos surgem (neologismos).

Bom, mas voltando ao foco – Neologismo em Macunaíma – é fácil vc identificar, quando estiver lendo o livro, anote as palavras que não fazem parte do seu vocabulário conhecido, depois, se tiver dúvida se aquela palavra existe ou não, recorra ao dicionário. Vai ter uma infinidade delas…

RUPTURAS com ortografia não vai faltar também. O livro é escrito da forma como se fala, ou seja, linguagem oral. Então, imagina, a fala é cheia de rupturas … paciência, é um livro maçante de ler, de vez em quando eu parava a leitura para pensar a forma correta que era determinada palavra, parecia que eu ia desaprender… mas vai fundo, dará certo. É uma importante leitura. Boa sorte, bom trabalho.

PS: Nada dispensa a leitura do livro, ok?

Abraços. Marli.

23 11 2009
diogo mamona

seilá colé que eras meu! não entendi nada desse livro mt difícil!
ticaracatica ticatchá

23 11 2009
Palavras Rabiscadas

Voce é divertido rs…

Este trabalho ajudará vc a entender melhor, realmente o livro não é nada fácil.

Boa sorte.

21 09 2010
jaiane

o livro nao é nada fácil mesmo,mais é muito interessantismo pois apresentamos no colégio e todos os alunos se interessara em ler a obra.

29 10 2010
Laís

Olá, adorei esse trabalho.
Mais estou com dificuldade de comparar a obra Macunaíma com a poesia Canção do exílio ( Dias Gonçalves)
Pelo que eu percebi ambos sao nacionalistas, pois na poesia fala da saudade da patria amada.
Poderia me ajudar?
Obrigado.

23 07 2011
ricássia

quero saber o que a obra macunaima foi considerada e tbm sem nenhum_______________…. preciso de ajuda

23 07 2011
ricássia

e sem contar que adorei o trabalho… parabéns!

5 03 2012
Vitória Fernandes

Eu queria saber qual a intençao de Mario de Andrade ter escrito macunaima,o que foi que ele quiz mostar com essa obra?

15 03 2012
Lorena Luana

Gostaria de saber sobre as partes expressionistas do livro macunaima, pois estou tendo dificuldades para achar..

3 06 2012
luisa

sifude q esse livro veio

6 05 2013
Ivo Marcelo Cruz

O obra Macunaima me deixou mais apaixonado ainda pelo meu país e mais ainda pelo meu nordeste, pois nele percebe-se muitos elemento que são fáceis de identificar o nordeste no livro. Esse seu trabalho a respeito da obra Macunaima me ajudou muito em um trabalho da universidade, mais especificamente um seminário na perspectiva da identidade nacional. Me ajudou muito

5 06 2013
Geovana

qual trecho do livro eu posso identificar o modernismo??

18 08 2013
Camile

Quais aspectos, Mario passa de Macunaíma com herói? Tenho que fazer um seminario senama que vem, e só acho caracteristica dele como anti-heroi.

27 08 2013
Ildefonso M Silva

Dá para considerar Macunaíma um romance modernista? Que outro enquadramento poderia ter?

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