VELHA HISTÓRIA – Mário Quintana

16 08 2012

Um dia ao pescar na beira de um rio um homem pega um peixe. A partir de um gesto de afeto do pescador, os dois desenvolvem uma linda amizade que é admirada por todos na cidade. Do poema de Mário Quintana. Narrado por Marco Nanini.

Disponível originalmente em: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1893#





O ÚLTIMO POEMA – Mario Quintana

10 05 2012

Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído…
Ah, essa mania incorrigível de estar
Pensando sempre n’outra coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia –
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuavam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo.

Mario Quintana





DOS LIVROS – Mario Quintana

3 08 2011

Não percas nunca, pelo vão saber,
A fonte viva da sabedoria.
Por mais que estudes, que te adiantaria,
Se a teu amigo tu não sabes ler?

Mário Quintana





INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA – Mário Quintana

13 06 2011

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…

Mário Quintana





A CARTA – Mario Quintana

15 05 2011

Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria…
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas…
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!

Mário Quintana





Sumário

3 05 2011

SUMÁRIO

Escrevestes cartas para quem não sabia ler
- retrato invisível -
Eu te vejo até de olhos fechados

Marli Savelli

Dedico para Seu Mário Quintana,
poeta que admiro pelo belo trabalho desenvolvido no seu caminho poético.

 

O não reconhecimento da ABL em relação ao poeta Mário Quintana não interferiu na admiração que o público brasileiro tem por ele. Como dizia Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra”, mas… “Todos esses que aí estão/ Atravancando meu caminho,/ Eles passarão… Eu passarinho/ (Poeminha do Contra – Mário Quintana)

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Sumário significa: resumo, simples, breve. Este poema, Retrato no Livro , publicado no http://aquarioliterario.wordpress.com/, complementa a idéia do poeminha.





Mário Quintana

3 05 2011

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906Porto Alegre, 5 de maio de 1994)

Quintana foi poeta, tradutor e jornalista brasileiro, tentou por três vezes uma vaga à Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.[7]

Mario Quintana já advertia: “um engano em bronze é um engano eterno“. “Quintana não é poeta regional, pois sua poesia não é localista. Também ainda não é nacional por não ter uma recepção uniforme no país. Prefiro dizer que Quintana é um poeta universal porque sua poesia fala a todos, e expressa a condição humana, explorando a reflexão sobre a vida e sobre a morte”, afirma Tania Franco Carvalhal 

Cquote1.svgEscrevestes cartas para quem não sabia ler
- retrato invisível -
Eu te vejo até de olhos fechados

Marli Savelli  Cquote2.svg

Cquote1.svg Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro. Cquote2.svg

Mário Quintana
Cquote1.svg Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia. Cquote2.svg

Cquote1.svg Não ter sido um dos imortais da Academia Brasileira de Letras é algo que até mesmo revolta a maioria dos fãs do grande escritor, a meu ver, títulos são apenas títulos, e acredito que o maior de todos os reconhecimentos ele recebeu: o carinho e o amor do povo brasileiro por sua poesia e pelo grande poeta e ser humano que ele foi… Cquote2.svg

Monumento a Mário Quintana (dir) e Carlos Drummond de Andrade, na Praça da Alfândega de Porto Alegre, obra de Francisco Stockinger.

 Obras Poéticas

  • A Rua dos Cataventos- Porto Alegre, Editora do Globo, 1940
  • Canções- Porto Alegre, Editora do Globo, 1946
  • Sapato Florido- Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
  • O Aprendiz de Feiticeiro- Porto Alegre, Editora Fronteira, 1950
  • Espelho Mágico- Porto Alegre, Editora do Globo, 1951
  • Inéditos e Esparsos- Alegrete, Cadernos do Extremo Sul, 1953
  • Poesias- Porto Alegre, Editora do Globo, 1962
  • Caderno H- Porto Alegre, Editora do Globo, 1973
  • Apontamentos de História Sobrenatural- Porto Alegre, Editora do Globo / Instituto Estadual do Livro, 1976
  • Quintanares- Porto Alegre, Editora do Globo, 1976
  • A Vaca e o Hipogrifo- Porto Alegre, Garatuja, 1977
  • Esconderijos do Tempo- Porto Alegre, L&PM, 1980
  • Baú de Espantos- Porto Alegre – Editora do Globo, 1986
  • Preparativos de Viagem- Rio de Janeiro – Editora Globo, 1987
  • Da Preguiça como Método de Trabalho- Rio de Janeiro, Editora Globo, 1987
  • Porta Giratória- São Paulo, Editora Globo, 1988
  • A Cor do Invisível- São Paulo, Editora Globo, 1989
  • Velório Sem Defunto- Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990
  • Água – Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2001

Livros Infantis

  • O Batalhão das Letras- Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
  • Pé de Pilão- Petrópolis, Editora Vozes, 1968
  • Lili inventa o Mundo- Porto Alegre, Mercado Aberto, 1983
  • Nariz de Vidro- São Paulo, Editora Moderna, 1984
  • O Sapo Amarelo- Porto Alegre, Mercado Aberto, 1984
  • Sapato Furado – São Paulo, FTD Editora, 1994

Antologias

  • Nova Antologia Poética- Rio de Janeiro, Ed. do Autor, 1966
  • Prosa & Verso- Porto Alegre, Editora do Globo, 1978
  • Chew me up Slowly(Caderno H) – Porto Alegre, Editora do Globo / Riocell, 1978
  • Na Volta da Esquina- Porto Alegre, L&PM, 1979
  • Objetos Perdidos y Otros Poemas- Buenos Aires, Calicanto, 1979
  • Nova Antologia Poética- Rio de Janeiro, Codecri, 1981
  • Literatura Comentada- Editora Abril, Seleção e Organização Regina Zilberman, 1982
  • Os Melhores Poemas de Mário Quintana(seleção e introdução de Fausto Cunha)- São Paulo, Editora Global, 1983
  • Primavera Cruza o Rio- Porto Alegre, Editora do Globo, 1985
  • 80 anos de Poesia- São Paulo, Editora Globo, 1986
  • Trinta Poemas- Porto Alegre, Coordenação do Livro e Literatura da SMC, 1990
  • Ora Bolas- Porto Alegre, Artes e Ofícios, 1994
  • Antologia Poética- Porto Alegre, L&PM, 1997
  • Mario Quintana, Poesia Completa – Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005 

 Traduções

Dentre os diversos livros que traduziu para a Livraria do Globo (Porto Alegre) estão alguns volumes do Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (talvez seu trabalho de tradução mais reconhecido até hoje), Honoré de Balzac, Voltaire, Virginia Woolf, Graham Greene, Giovanni Papini e Charles Morgan. Além disso, estima-se que Quintana tenha traduzido um sem-número de histórias românticas e contos policiais, sem receber créditos por isso – uma prática comum à época em que atuou na Globo, de 1934 a 1955.

 Homenagens

O Manuel Bandeira dedicou-lhe um poema, onde se lê:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

O pajador Jayme Caetano Braun, dedicou ao poeta a Payada a Mario Quintana, segue abaixo um trecho da poesia:

Entre os bem-aventurados
Dos quais fala o evangelho,
Eu vejo no mundo velho
Os poetas predestinados,
Eles que foram tocados
Pela graça soberana,
Mas a verdade pampeana
Desta minh’alma irrequieta,
É que poeta nasce poeta
E poeta é o Mario Quintana!

Em Pelotas, há uma escola que recebera o mesmo nome do poeta em sua homenagem.

Prêmio Jabuti

Em 1981 recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano.

 

Fonte: Wikipedia