ONDE ESTÁ O FUTURO?

26 09 2008

Por Alexandre Garcia

 
 

Há pouco participei de um evento sobre Educação. No final, a platéia – composta por professores que se identificavam como educadores – me mandou perguntas, por escrito.

Tive sérias dificuldades em responder. Porque não entendia as perguntas. Em primeiro lugar, a caligrafia era mais uma cacografia. Fiquei a pensar que apenas os de letra primária, quase primitiva, é que tivessem sede de respostas. Em segundo lugar, porque as frases estavam construídas desordenadamente, de forma ilógica e com gênero, número e concordância verbal sem combinarem entre si. Era uma espécie de criptografia, que precisei decifrar usando adivinhação. Enfim, tudo deu certo, mas saí descrente com o futuro do país. Eu mesmo já fui professor. Por cinco anos em curso médio, por outro tanto na PUC do Rio Grande do Sul, e depois no Uniceub de Brasília. Desisti quando uma turma de 30 futuros jornalistas não soube me dizer quem foi Winston Churchill. Um deles até que tentou: disse que fora presidente dos Estados Unidos. A coisa tá feia. Fiquei sem saber por que os professores, naquele evento, se apresentavam como educadores. Será que a patrulha do politicamente correto concluiu que professor é pejorativo? Que é melhor educador? Enfim, deve haver muita gente desocupada neste mundo, à procura de besteiras para criar. Eles já inventaram “visualizar” para substituir ver; “verbalizar” para substituir dizer; “comercializar” no lugar de vender; “por conta de”, para matar o por causa de, e – com perdão do palavrão – “disponibilizar”, no lugar de oferecer. Claro que tudo é um truque, já que eles foram perdendo o vocabulário e precisam de palavras mais compridas para ter tempo de encontrar a palavra seguinte – ou não conseguirão fazer uma frase. Por gente que se comunica complicado e com palavrões é construído o futuro do Brasil. Que futuro? Ele virá no próximo milênio, se nada for mudado. Os coreanos são bem mais práticos e simples. Ao receberem de volta o país, depois da ocupação japonesa que deixou 84% de analfabetos, decidiram formar 800 mil cientistas. Nem a invasão do norte – respaldada pela China e pela União Soviética que arrasou a Coréia do Sul –, foi suficiente para demover os coreanos, hoje donos de um dos países mais avançados do planeta. Aqui, o nosso fraco é exatamente as ciências. Aliás, não temos forte, porque nem a língua do artigo 13 da Constituição sabemos usar. E apresentamos quantidade nas estatísticas, embora o mundo inteiro saiba que, em educação, o que faz a diferença é a qualidade. Em entrevista na revista Veja desta semana, o especialista em derrubar mitos da educação, Eric Hanushek, lamenta a mediocridade garantida pelo corporativismo dos sindicatos de professores e também as teorias desastrosas inventadas por “achismos” de pretensos pedagogos. Seria mais fácil ser prático e procurar o que deu certo em países vitoriosos. A falta do que fazer produz “achômetros” demais. Estudantes não são cobaias. São o futuro do país. Ou não.

 

Fonte: http://www.diariodorioclaro.com.br/product.asp?pid=15637

 

 
 

 

 

 

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: