GRATTE-PAPIER (Palavras Riscadas)

2 10 2008

………

O curta-metragem Gratte-Papier (Palavras Riscadas), do diretor Guillaume Martinez exemplifica a reflexão de Roger Chartier (em A aventura do livro)  sobre a leitura em espaços públicos e privados:
“A leitura silenciosa, mas feita em um espaço público (biblioteca, metrô, trem, avião), é uma leitura ambígua e mista. Ela é realizada em um espaço coletivo, mas ao mesmo tempo ela é privada, como se o leitor traçasse, em torno de sua relação com o livro, um círculo invisível que o isola. O círculo é contudo, penetrável e pode haver aí intercâmbio sobre aquilo que é lido, porque há proximidade e porque há convívio. Alguma coisa pode nascer de uma relação, de um vínculo entre  indivíduos a partir da leitura, mesmo silenciosa, pelo fato de ser ela praticada em um espaço público”. (pg 143)

 

 

 
 

Gratte-Papier foi o vencedor do urso de prata no Festival de Berlim em 2006 e não possui legenda.
O diálogo silencioso é mais ou menos assim:
– Eu não consigo ver seu rosto, mas o olhar do outro homem pode me dizer.
– O olhar dele não diz o seu (rosto).
– Eu era o centro (da atenção) antes de você chegar.
– Não se preocupe, já estou saindo.
– Não, não se mexa. O stress soa lá fora. Aqui estamos sentados, é melhor.
– Vou embora.
E a garota escreve o nº de seu telefone no livro.

 

 

Colaboração: Prof. Márcio Roberto Pereira.

 

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2 responses

24 11 2009
Gratte-papier « Vou Falar Francês

[…] Gratte-Papier foi o vencedor do urso de prata no Festival de Berlim em 2006 e não possui legenda. O diálogo silencioso é mais ou menos assim: – Eu não consigo ver seu rosto, mas o olhar do outro homem pode me dizer. – O olhar dele não diz o seu (rosto). – Eu era o centro (da atenção) antes de você chegar. – Não se preocupe, já estou saindo. – Não, não se mexa. O stress soa lá fora. Aqui estamos sentados, é melhor. – Vou embora. E a garota escreve o nº de seu telefone no livro. […]

25 11 2009
Palavras Rabiscadas

“(…) Ela é realizada em um espaço coletivo, mas ao mesmo tempo ela é privada, como se o leitor traçasse, em torno de sua relação com o livro, um círculo invisível que o isola. O círculo é contudo, penetrável e pode haver aí intercâmbio sobre aquilo que é lido, porque há proximidade e porque há convívio. (…)”

Nas explicações que se refere à reflexão do video destaquei esse fragmento porque consigo viver isso no meu dia-a-dia – se estou fazendo algo, ou lendo alguma coisa, é como se eu criasse uma divisória invisível que me isolasse dos demais, no entanto, a qualquer instante é desfeita, basta um – “Olá”; “O que acha…?”

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