O CASO DE OXFORD STREET

 

Por Stefano Garzon Dias Lemos

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Já era tarde da noite quando alguém bateu à nossa porta – era o policial Peterson, que fazia a ronda noturna em Oxford Street. Depois de sentar-se e de tomar um copo de conhaque oferecido por Holmes, Peterson começou a falar:

— Sr. Holmes, agora há pouco, fazia minha ronda noturna em Oxford Street. Quando passava pelo começo da rua, ouvi um barulho abafado e um grito. Caminhei para a casa à minha direita, a segunda de uma série de duas casas muito semelhantes, e vi um homem estirado no chão. Havia muito sangue na sala. A porta e as janelas estavam trancadas por dentro. Logo presumi que o homem estava morto. Quando fui olhar ao redor da casa, vi uma silhueta de homem estampada na parede de tijolos na lateral da casa. A silhueta movia-se, como se estivesse andando. Falei para ele não se mexer, mas assim que o fiz, ele desapareceu. Vim direto de lá para falar com o senhor. Eu fiquei muito abalado com isso.

— Muito interessante isso, Peterson. Agora você já pode ir.

Peterson fez uma mesura e saiu. Logo em seguida, comentei:

— Holmes, não acha que ele sonhou com isso? Você sabe, nas rondas noturnas os policiais são muito mais suscetíveis a alucinações causadas pelo sono.

— Watson acho pouco provável que ele tenha sonhado. Agora, temos que ir até Oxford Street o mais rápido possível.

Ao dobrarmos a esquina para entrar na Oxford Street, vimos Lestrade e um punhado de policiais na frente da casa. Quando nos avistou, Lestrade se aproximou.

— Vejo que já soube da notícia – disse Lestrade com seu ar de superioridade.

— Sim, um passarinho me contou.

— Sr. Holmes tenho uma pergunta que, acho eu, é muito geral, mas é apropriada para o momento: o que diabos aconteceu aqui, hein?

— Tenho algumas idéias, mas tudo muito vago, por enquanto. Assim que tiver algo concreto, avisarei.

— Muito bem, senhores, tenho que ir. Sr. Holmes. Dr. Watson – após essa despedida, ele se foi.

Holmes exclamou, aliviado:

— Com a graça de Deus aquele imbecil consumado saiu daqui. Bem, Watson, vamos começar.

Caminhamos até a casa onde acontecera o crime. Holmes entrou e olhou em volta na sala onde jazia a infeliz vítima. Ao seu redor, uma infinidade de penas de ganso, algumas delas chamuscadas.

— Veja, Watson. – disse ele, examinando o corpo – Um ferimento na clavícula com uma arma fraca como essa (veja o ferimento como é pequeno) não sangraria desse jeito. Somente se a bala tivesse atingido o coração ou alguma artéria. Espere um pouco. Watson, as balas de menor calibre ricocheteiam em um osso como a clavícula, não?

— Bem, sim.

— E elas tendem a subir, não?

— Sim.

— Bingo! Vamos continuar a procurar aqui. Me ajude.

Estávamos procurando, quando encontrei, dentro do bolso da vítima, um envelope dobrado. Mostrei-o para Holmes e ele exclamou:

— Mas você é um gênio, Watson. – disse ele olhando as penas e abrindo o envelope – Veja o que temos aqui…

Dentro do envelope, havia um papel amassado, preenchido com uma porção de números organizados em fileiras e colunas:

oxfordstreet

— Mas o que diabos é isso, Holmes?

— Creio que uma espécie de código secreto, Watson. Aposto que é uma mensagem do mandante do crime para o assassino. Ele não fez isso sozinho. Teve ajuda. Guarde a carta, ela nos será de extrema ajuda futuramente. Agora, vamos para o vizinho ver se achamos alguma coisa lá.

A casa vizinha era uma cópia da que acabávamos de sair. Entramos e Holmes, como um cão de caça, usou seu excelente sentido de orientação e achou uma sala na qual uma janela dava para a parede lateral da casa em que ocorrera o crime. Nessa sala havia uma lamparina e vários espelhos. O cômodo todo cheirava óleo queimado, o que era estranho, pois aquela casa estava vazia há anos.

Misteriosamente, o chão e a janela estavam primorosamente limpos. Holmes aproximou-se da janela e olhou. Soltou uma exclamação de satisfação e virou-se para mim:

— Agora, Watson, tenho todos os dados de que preciso para começar. Importaria-se de passar-me a carta? – perguntou, puxando uma cadeira ao mesmo tempo em que tirava do bolso um bloco de notas e um lápis.

Depois de rabiscar várias letras seguidas de números, numa anotação caótica, incompreensível e nervosa, Holmes deu um pulo da mesa, numa alegria que eu estava muito acostumado a ver. Seus olhos brilhavam enquanto dirigia-se a mim:

— Vamos, Watson! Está na hora de dar a solução para a Scotland Yard. Vamos.

Saímos da casa, descendo a rua. Pegamos um cupê e fomos até a sede da Scotland Yard.

****

A) Quem está por trás do crime?

B) Qual o motivo do crime?

C) Como a sombra apareceu e sumiu?

D) Qual a razão das penas?

 

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