CANÇÃO DO EXÍLIO – Gonçalves Dias

19 01 2009

 

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

 

A canção do exílio é um dos mais famosos poemas de nossa literatura. O poema não menciona a palavra Brasil. A “terra” do eu-lírico é um paraíso onde se misturam os símbolos do Brasil, como a palmeira e o sabiá. Mas sabiás não cantam em palmeiras. As imagens usadas no poema, na verdade, ajudam a construir uma utopia, um mundo totalmente imaginário.

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