O VOO – Menotti del Pichia

12 03 2009

 

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti

Não indagues se nossas estradas, tempo e vento

desabam no abismo
que sabes tu do fim ?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão
de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um vôo no tempo.
Rumo aos céus ? O que importa a rota ?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas.

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8 responses

25 11 2009
Lourdes Maria

Na adolescência achava essa poesia linda! com o passar dos anos ainda continuo a pensar que não existe nada mais verdadeiro: “que sabes tu do fim? se temes que seu mistério seja a noite enche-a de estrelas… e se presentires que amanhã estarás mudo, esgota como um passáro as canções que tens na garganta… É acima de tudo uma grande lição de vida!

27 11 2009
Palavras Rabiscadas

Eu concordo com a beleza dessa poesia, talvez seja a mais bonita que eu tenho aqui no blog… Obrigada por comentar nela, é sempre bom relê-la…

“(…)O que importa a rota ?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas”

Bons voos e cantos para voce, para mim, para nós!

Beijos.
Marli

30 04 2010
isabel

muito legal sem igual fikei sem palavras de tantos sentimentos juntos num so poema! e lindo

30 04 2010
Palavras Rabiscadas

É todo lindo mesmo.

Hoje eu dou ênfase nesta parte do poema:

“(…)se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
(…)
enquanto resistirem as tuas asas.”

Obrigada.

17 03 2011
mariah alyce

Lindo!

19 02 2013
Mrcl (@MCGdeO)

É uma lição mesmo!

8 05 2014
Eriberto Carvalho

Há um segredo escondido nas palavras de Menotti, que se chama esperança. É preciso compreender o interior da alma para apreciar o infinito que nos cerca e olhar para a luz sem que os olhos ceguem e os sentidos se percam. O Anjo a que se refere, muito tem da bondade que procuramos no âmago das atitudes humanas que por vezes fica escondida na falta de coragem. Em seguida remete aos medos que nos circundam numa clara transposição de quem crê na possibilidade de mudar realidades com os arquétipos do herói que mora dentro de cada um. Conclama no final ainda apoiado em asas, não agora de um anjo, mas de um pássaro as atitudes possíveis para se conseguir o que almejamos de forma real e disposta pelo sacrifício diário no entendimento das limitações que nos cercam e na perseverança de nossos ideais.

22 01 2016
Cleo

Excelente reflexão. Parabéns pela sensibilidade.

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