AMBIGUIDADE

Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases, proposições ou textos.

Alguns exemplos:

1. O cadáver foi encontrado perto do banco.

– Não sabemos se o cadáver foi encontrado perto de uma casa bancária ou ao lado de um banco de jardim. A ambiguidade nasce da palavra banco, que pode ser usada em diferentes acepções.

2. Pedro pediu a José para sair.

– Neste caso, a ambiguidade não nasce de uma palavra de duplo sentido, mas, sim, da própria estrutura da frase. Que idéia a frase expressa: a) Pedro pediu permissão a José para sair um pouco ou b) Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco?

3. O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz.

– As palavras de quem convenceriam o juiz: do réu ou do advogado?

4. Crianças que comem doce frequentemente têm cáries.

– A posição do adjunto adverbial complica tudo na frase: as crianças têm cáries porque comem doce com frequência ou há mais probabilidade de ocorrerem cáries em crianças que comem doces?

 

RECURSO ESTILÍSTICO

A ambiguidade, contudo, nem sempre é um erro de expressão ou um vício de linguagem. Em literatura, o texto pode ser polissêmico, ou seja, apresentar multiplicidade de sentidos.

O professor Berthold Zilly, tradutor de Machado de Assis na Alemanha, cita, em uma entrevista, exatamente essa qualidade do texto machadiano: “Ele [Machado de Assis] é notório pelas suas expressões e frases ambíguas. Há pouco, por exemplo, estive refletindo sobre uma frase do livro [Memorial de Aires]. O narrador diz: ‘Já tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois não estou’. O que ele quer dizer com ‘gasto’? Acostumado, cansado, insensível – acho que é por aí. Mas não é o sentido normal da palavra, não é o convencional. E ele reiteradamente usa palavras fora do seu sentido convencional. Praticamente a cada duas frases há uma dificuldade semelhante. Não se sabe também 100% o que ele quer dizer, há várias interpretações”.

 

 

  Semântica, Rodolfo Ilari & João Wanderley Geraldi, Editora Ática, 7ª edição, 1995.

  A estilística, José Lemos Monteiro, Editora Ática, 1991.

  “Ambiguidade dificulta tradução de Machado, diz tradutor alemão”

 

 

FONTE: http://vestibular.uol.com.br

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4 respostas para AMBIGUIDADE

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