“INGUINORANSSA”

13 01 2010

 

Quem nunca cometeu/comete algumas dessas “inguinoranssa”, de vez em quando, heim? Achei interessante, veja:

 

AMIGO PESSOAL
Só existe amigo pessoal. Ainda não inventaram o amigo “impessoal”. Se não for amigo mesmo (pessoal), chame de colega, cliente, fã, parente, simpatizante, conhecido, “chegado” etc.

 

ORÇAMENTO SEM COMPROMISSO
Todo orçamento é sem compromisso. Se fosse com compromisso, não seria orçamento, mas já a própria compra.

 

TELEFONE DE CONTATO
Se você tem um telefone de contato, você não é nenhum privilegiado, pois todo telefone é de contato. Na época atual todo mundo tem telefone (de contato), porém nem todos têm contato com o dinheiro para pagar a conta dele.

 

DUAS ÚNICAS APRESENTAÇÕES
Tem dó, né! Se são duas, não são únicas (”única” vem de “um”). Se é única, não são duas. Apenas duas apresentações e estamos conversados.

 

TRABALHA COM CHEQUE
“Você trabalha com cheque?”, pergunta o vendedor, querendo lhe empurrar o duvidoso produto a ser pago em cinco “suaves” prestações, mediante “pré-datados” (outra coisa que não existe é “pré-datado”). Trabalha com cheque não, meu! Trabalha com chefe, com computador, telefone, calculadora, lápis, livro, giz, caderno, caneta, borracha, papel, produto, carro, e-mail, cafezinho etc. A gente usa cheque, emite cheque, mas não “trabalha” com cheque. O máximo que dá para aceitar é que trabalhamos PORTANDO cheque(s).

 

JOGOS DE IDA E VOLTA
Essa é demais: “O Cruzeiro faz hoje em BH o jogo de ida pelas finais…”. Jogo de ida de quem? O Cruzeiro é de BH e joga em BH Quem está indo? Se for o adversário de outra cidade, ele não está indo, está vindo. É mais uma invenção esdrúxula da crônica esportiva. Só pode ser coisa do Galvão Bueno…

 

ELE NÃO TEM NADA NA CABEÇA, POIS SÓ PENSA “NAQUILO”
O certo é: ele só tem “aquilo” na cabeça.

 

SÃO MEIO-DIA
Mais um santo na praça! Essa é absolutamente ridícula, mas o povão insiste em que na hora do almoço “são” meio-dia. O plural é só pra mais de um, nunca para a metade de um. Haja santa paciência!

 

VAMOS ESTAR FAZENDO, VAMOS ESTAR OLHANDO, VAMOS ESTAR PROVIDENCIANDO ETC.
Para que usar três verbos, se a parcimônia é possível: faremos, olharemos, providenciaremos etc. Além do mais, gerúndio no futuro é, no mínimo, suspeitíssimo…

 

HAJA CORAÇÃO!
Sem chance, Galvão. No jogo Brasil x Inglaterra, entre outros, o Brasil não correu nenhum risco, a não ser na jogada em que nossa defesa entregou um gol “de graça”. O time deles só tem marketing. Não joga quase nada. E você falando que estava DRAMÁAAATICO. Haja saco! Impeachment “nocê”, Galvão. Bom é o Sílvio Luiz, que quando o jogo está sem graça (quase sempre), fica conversando fiado…

 

FEIA(O) DE ROSTO, MAS BONITA(O) DE CORPO
Uai! Então quer dizer que rosto não é corpo?! O certo é: feia(o) de rosto, mas bonita(o) de resto.

 

PERDI MEU VOTO
O sujeito vota no candidato derrotado e diz que perdeu o voto… Quem sabe o TRE o encontra lá dentro da urna eletrônica e devolve para o pobre eleitor. Tem dó, cidadão! Quem perdeu foi o seu candidato, e não você.

 

ELE(A) TEM PROBLEMA
Estamos diante de uma pessoa com graves transtornos emocionais ou neurológicos e alguém diz que ele(a) tem “problema”. É preciso ser mais específico. Problema todo mundo tem. Se fosse para prevenir alguém de que outro (improvável) alguém é singular, completamente diferente e certamente nos surpreenderá, ! deveríamos dizer: ele(a) NÃO tem problema.

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7 responses

18 01 2010
Alexandra

Bom-tarde! Obrigado pelo seu comentário mas ao contrário do que deve ter depreendido pelos meus post’s eu não estou triste. Um escritor não escreve necessariamente sobre ele. Não estou nada triste, nem tenho razões para estar. Tenho pais que apesar de tudo são fantásticos, amigas completamente chanfradas que eu adoro e que me adoram e eles, bom, eles podem ser tudo e não ser nada. Eles podem existir ou não. Cabe aos meus leitores decidirem a verdade, pelo menos, a deles. Mesmo assim obrigado. Agora já sei a quem pedir ajuda quando estiver mal. Atentamente, Alexandra

18 01 2010
Palavras Rabiscadas

Olá Alexandra,

Também devo ter passado uma impressão errada a meu respeito, pois eu não sou uma boa conselheira para maus momentos, embora tenha um bom ouvido quando alguém precisa desabafar.

Grande abraço.

Marli

11 03 2015
Misael Abreu

Olá, Marli Savelli! Esta é a primeira vez que eu visito o seu blogue. Encontrei-o por acaso enquanto procurava esclarecer algumas dúvidas de gramática normativa. De modo geral, eu digo que achei sua postagem interessante; mas não poderia deixar de dizer que não concordo com muitas coisas que foram escritas aqui. Embora eu imagine que você tenha tido boas intenções ao redigir sobre essas “inguinoranssas” (entre aspas, como você mesma usou), elas têm uma razão de ser, que está relacionada, por exemplo, ao grau de formalidade em que são empregadas; constituindo, na maioria das vezes, linguagem figurada – metáfora, metonímia etc.

Primeiro. Embora “amigo pessoal” pareça uma expressão pleonástica, ela é, isso sim, enfática. Veja que quando alguém a utiliza – numa conversa informal, por exemplo -, é possível que ela queira mostrar que se trata de um amigo de carne e osso, de verdade; em oposição a um amigo virtual. Você diria: “mas nem caso, o antônimo de pessoal é impessoal; o contrário de real é que é virtual”. Não necessariamente. Coisas assim são, em minha opinião, um purismo semântico, que preza pela univocidade dos termos, para eliminar ambiguidades. Mas temos de levar em consideração as múltiplas formas de amizade que existem atualmente! Ou será que agora as pessoas não têm mais direito de conceituar a amizade de suas próprias formas? Eu não veria problema em usar a expressão informalmente, pois não está errado: o locutor, quando a usa, está apenas sendo enfático.

Segundo ponto: eu concordo que todo orçamento, realmente, não envolva compromisso entre o cliente e o vendedor ou prestador de serviço. É novamente uma expressão enfática, mas menos compreensível que amigo pessoal – segundo meu ponto de vista.

Quanto a “telefone de contato”, pelo contrário, é mais compreensível. Ora, quando alguém pede o “telefone DE CONTATO” a outrem, está deixando claro que não quer um telefone para bater papo, ligar a qualquer hora do dia ou coisas do tipo. Isso tem a ver, por exemplo, com o grau de envolvimento dos interlocutores. É como se fosse: “Me dá seu telefone. Se eu precisar entrar em contato com você, eu ligo.” E pensa, da mesma forma que seu interlocutor: “Manteremos apenas contato profissional.” Ou seja, “de contato” especifica o telefone e fica possivelmente em oposição ao “telefone pessoal”, o celular.

Em relação ao uso de “único(a)”, eu sinceramente não sei de onde tiraram essa regra sem sentido de que não se usa um adjetivo no plural! Embora a palavra “único” signifique “apenas um”, é corrente o seu uso no plural, para indicar ocorrências iguais. Quanto a isso, veja o exemplo de uma página portuguesa de gramática muito reconhecida: http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=6549. O exemplo é com “três únicos” e, segundo o autor da resposta, isso é corrente em Portugal. Será que no Brasil criamos uma nova regra? Creio que não.

Puxa vida, e também não se pode TRABALHAR com cheque? Pois afirmo eu que essa é mais uma restrição sem fundamento. Vejamos o que diz a versão eletrônica do dicionário Houaiss da língua portuguesa (2009), na oitava acepção do verbo “trabalhar”: “fazer negócio; comerciar”. E o exemplo dado logo a seguir: “a loja não trabalhava com laticínios”. Qual é a diferença, então, entre esse exemplo e “trabalhar com cheque”? Essa expressão quer diz, sim, negociar/fazer negócio(s) com cheque. Ou será que um sentido registrado no dicionário (sem restrição de nível de formalidade nem nada) é melhor que outro? De certo, este é um caso em que a busca pelo rebuscamento das expressões autoriza algumas e desautoriza outras – porque, realmente, dizer que negociamos com cheque é mais “bonitinho”. Trabalhar, assim, não significa apenas ter trabalho ou se ocupar de uma tarefa.

No que diz respeito a “jogos de ida e de volta”, eu confesso que não entendi direito o que você quis dizer, mas vamos lá. Quando eu digo que uma equipe vai ao “jogo de ida pelas finais”, suponho eu que, independentemente de onde a partida seja realizada, a ida se refere à divisão em etapas de um campeonato, e não ao lugar do jogo. Quartas de final, semifinal e final não são etapas? Mas não é a elas que o locutor esportivo pretende aludir.

Não concordo também com esta passagem sua: “ELE NÃO TEM NADA NA CABEÇA, POIS SÓ PENSA ‘NAQUILO’. O certo é: ele só tem “aquilo” na cabeça.” Poderia explicar-me por quê? “Pensar naquilo” é uma expressão idiomática, consagrada. A sua origem é: ele só pensa em sexo, em safadeza etc. O pronome “aquilo” substitui essas palavras, que ficariam feias, inaceitáveis em determinados contextos – ou seriam puro tabuísmo mesmo. Não estou certo quanto à tipologia de “pensar naquilo”: se é expressão idiomática ou semi-idiomática. De qualquer forma, questionar uma expressão da língua é questionar a própria vida do idioma.

Para o “são meio-dia” não há muito o que dizer, pois é uma questão de concordância, de que muito se ocupa a gramática normativa. Nesse quesito, só não entendo por que usar o termo “povão”. Quem é o “povão”? As pessoas que não tiveram oportunidade de acesso à educação formal? Ou que a tiveram, mas ela foi incipiente, pois operam com hipercorreções? Não seria melhor dizer apenas que há falantes que por esta ou aquela razão não empregam a concordância da norma padrão?

Outro ponto: o futuro contínuo é um tempo verbal composto que existe em português; o problema é que ele ainda é estigmatizado, ainda mais se for posto na escrita. Qual foi o crime que ele cometeu? Indicar uma ação no tempo futuro e no aspecto contínuo? Comparações entre idiomas não é uma boa ideia, certamente; mas veja que em inglês estudamos o “future continuous ” com uma naturalidade que não existe em português. Além do mais, eu “farei” não é a mesma coisa que eu “vou estar fazendo”; pois, para o primeiro, o aspecto é pontual, e, para o segundo, o aspecto é contínuo.

Em “HAJA CORAÇÃO”, não vejo nenhum problema com a fala de Galvão. A palavra “dramático” passou por um processo de hipersemantização em nossa língua. Drama era, antigamente, aquilo que tinha ação; hoje, é o melodramático, vagaroso etc. Nesse sentido, o narrador está somente usando um dos sentidos para a palavra. Ou ele não pode dizer que o jogo estava dramático? Aliás, é só uma opinião dele; todos podemos discordar.

O “FEIA(O) DE ROSTO, MAS BONITA(O) DE CORPO” representa o emprego de linguagem figurada. Não podemos mais usar também?! A frase é um caso de metonímia, pois o falante toma uma parte (o resto do corpo, sem a cabeça, da qual já havia falado) como se fosse o todo (o corpo). Mas não significa que o falante não saiba que a cabeça faça parte do corpo; é só uma maneira de se expressar. “PERDI MEU VOTO” entra no mesmo barco. Só que, nesse exemplo, tomamos o “eu” pelo outro.

Já o último exemplo não faz sentido para mim. Se uma pessoa tem problema neurológico, ela não tem problema?

11 03 2015
Misael Abreu

Correção: *Mas não é a elas que o locutor esportivo pretende aludir[?]

11 03 2015
Misael Abreu

Ah, me empolguei tanto que falei como se certamente tivesse sido você que tivesse escrito o texto. Mesmo que não tenha sido você, considere minhas colocações. Digo isso porque você escreveu: “Achei interessante, veja:”, e não pôs a fonte. De qualquer forma, pode servir como uma reflexão, e você tem todo o direito de discordar de mim.

11 03 2015
Misael Abreu

Quanto ao futuro contínuo, em português, só é aceito em poucos casos, como é o de uma ação simultânea no futuro. Então, com as frases separadas, como as que estão no texto, não são aceitas, realmente.

Peço desculpas por qualquer coisa.

11 03 2015
Misael Abreu

Embora o texto pareça tender para o humor em certos momentos, penso que o apontamentos feitos por mim quebram certos preconceitos que estão por trás dos possíveis erros enumerados.

Gostei muito do seu blogue!

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