Lirismo VIII, de O Jardineiro

A lamparina se apagou junto ao meu leito e eu acordei com os pássaros da manhã. Fui até a janela aberta e me sentei, com uma grinalda de flores frescas em meus cabelos soltos. Pelo caminho aproximou-se um jovem em meio à rosada névoa da manhã. Trazia no pescoço um colar de pérolas, e os raios do sol faiscavam em sua coroa. Ele parou em minha porta e perguntou-me, ansioso: “Onde está ela?” Fiquei envergonhada e não consegui responder: “Ela sou eu, jovem caminhante! Ela sou eu”.
Entardecia, a lamparina ainda não fora acesa, e eu trançava distraidamente os cabelos. O jovem caminhante chegou em sua carruagem, toda incendiada pelos raios do sol poente. Sua roupa estava coberta de pó e seus cavalos espumavam pela boca. Ele desceu junto à minha porta e com voz cansada perguntou: “Onde está ela?” Fiquei envergonhada e não consegui responder: “Ela sou eu, fatigado caminhante! Ela sou eu.”

Hoje é uma noite de abril e a lamparina arde em meu quarto. A brisa do sul entra suavemente, e o papagaio barulhento dorme em seu poleiro. Meu vestido é azul como o pescoço de um pavão real, e o meu manto é verde como a erva que está brotando. Sento-me no chão, junto na janela, e fico olhando a rua deserta… A noite vai passando, escura, e eu repito sem parar: “Ela sou eu, caminhante sem esperança! Ela sou eu…”

Robindronath Tagore
Tradução do original  b e n g a l i  para o inglês, feita pelo próprio autor
Tradução Ivo Sturuiolo
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