ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

15 06 2011

Parabéns, Fernando Pessoa!… 123 aninhos… Viva!

Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

{Álvaro de Campos, Poemas}

Fernando Pessoa morreu aos 47 anos, em 30 de novembro de 1935: “A morte é a curva da estrada, / Morrer é só não ser visto. […]”





FELIZ NOSTALGIA

6 05 2011

(7/5/1861-7/8/1941- Calcutá – Índia)
 

Conheça a Casa Poética de Tagore : “Lá, onde, para dormir, se estendem as nuvens do espaço infinito construí minha casa, ó Poesia, para te receber.” (Tagore)

FELIZ NOSTALGIA
 
A noite chega, festa esplêndida
O Sol entra para brilhar
Sirva-se de algo triste, um aperitivo
É hora de começar
No cálice, a luz de um claro vinho
É preciso se embriagar
A melodia nostálgica vamos dançar
( Lábios ao fulgor do sol
num beijo que derrete o céu )
Chora a canção que fiz agora,
S o l  O u ç a  nesta hora
Vestido de gala, à tua mesa, na sala
No peito a última cantiga

que no íntimo abriga
Mil notas! Mais brindes!
Os anjos chamam e a taça se derrama.
 
Marli Savelli de Campos

 

http://casapoeticadetagore.blogspot.com/





Mário Quintana

3 05 2011

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906Porto Alegre, 5 de maio de 1994)

Quintana foi poeta, tradutor e jornalista brasileiro, tentou por três vezes uma vaga à Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.[7]

Mario Quintana já advertia: “um engano em bronze é um engano eterno“. “Quintana não é poeta regional, pois sua poesia não é localista. Também ainda não é nacional por não ter uma recepção uniforme no país. Prefiro dizer que Quintana é um poeta universal porque sua poesia fala a todos, e expressa a condição humana, explorando a reflexão sobre a vida e sobre a morte”, afirma Tania Franco Carvalhal 

Cquote1.svgEscrevestes cartas para quem não sabia ler
– retrato invisível –
Eu te vejo até de olhos fechados

Marli Savelli  Cquote2.svg

Cquote1.svg Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro. Cquote2.svg

Mário Quintana
Cquote1.svg Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia. Cquote2.svg

Cquote1.svg Não ter sido um dos imortais da Academia Brasileira de Letras é algo que até mesmo revolta a maioria dos fãs do grande escritor, a meu ver, títulos são apenas títulos, e acredito que o maior de todos os reconhecimentos ele recebeu: o carinho e o amor do povo brasileiro por sua poesia e pelo grande poeta e ser humano que ele foi… Cquote2.svg

Monumento a Mário Quintana (dir) e Carlos Drummond de Andrade, na Praça da Alfândega de Porto Alegre, obra de Francisco Stockinger.

 Obras Poéticas

  • A Rua dos Cataventos– Porto Alegre, Editora do Globo, 1940
  • Canções– Porto Alegre, Editora do Globo, 1946
  • Sapato Florido– Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
  • O Aprendiz de Feiticeiro– Porto Alegre, Editora Fronteira, 1950
  • Espelho Mágico– Porto Alegre, Editora do Globo, 1951
  • Inéditos e Esparsos– Alegrete, Cadernos do Extremo Sul, 1953
  • Poesias– Porto Alegre, Editora do Globo, 1962
  • Caderno H– Porto Alegre, Editora do Globo, 1973
  • Apontamentos de História Sobrenatural– Porto Alegre, Editora do Globo / Instituto Estadual do Livro, 1976
  • Quintanares– Porto Alegre, Editora do Globo, 1976
  • A Vaca e o Hipogrifo– Porto Alegre, Garatuja, 1977
  • Esconderijos do Tempo– Porto Alegre, L&PM, 1980
  • Baú de Espantos– Porto Alegre – Editora do Globo, 1986
  • Preparativos de Viagem– Rio de Janeiro – Editora Globo, 1987
  • Da Preguiça como Método de Trabalho– Rio de Janeiro, Editora Globo, 1987
  • Porta Giratória– São Paulo, Editora Globo, 1988
  • A Cor do Invisível– São Paulo, Editora Globo, 1989
  • Velório Sem Defunto– Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990
  • Água – Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2001

Livros Infantis

  • O Batalhão das Letras– Porto Alegre, Editora do Globo, 1948
  • Pé de Pilão– Petrópolis, Editora Vozes, 1968
  • Lili inventa o Mundo– Porto Alegre, Mercado Aberto, 1983
  • Nariz de Vidro– São Paulo, Editora Moderna, 1984
  • O Sapo Amarelo– Porto Alegre, Mercado Aberto, 1984
  • Sapato Furado – São Paulo, FTD Editora, 1994

Antologias

  • Nova Antologia Poética– Rio de Janeiro, Ed. do Autor, 1966
  • Prosa & Verso– Porto Alegre, Editora do Globo, 1978
  • Chew me up Slowly(Caderno H) – Porto Alegre, Editora do Globo / Riocell, 1978
  • Na Volta da Esquina– Porto Alegre, L&PM, 1979
  • Objetos Perdidos y Otros Poemas– Buenos Aires, Calicanto, 1979
  • Nova Antologia Poética– Rio de Janeiro, Codecri, 1981
  • Literatura Comentada– Editora Abril, Seleção e Organização Regina Zilberman, 1982
  • Os Melhores Poemas de Mário Quintana(seleção e introdução de Fausto Cunha)- São Paulo, Editora Global, 1983
  • Primavera Cruza o Rio– Porto Alegre, Editora do Globo, 1985
  • 80 anos de Poesia– São Paulo, Editora Globo, 1986
  • Trinta Poemas– Porto Alegre, Coordenação do Livro e Literatura da SMC, 1990
  • Ora Bolas– Porto Alegre, Artes e Ofícios, 1994
  • Antologia Poética– Porto Alegre, L&PM, 1997
  • Mario Quintana, Poesia Completa – Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005 

 Traduções

Dentre os diversos livros que traduziu para a Livraria do Globo (Porto Alegre) estão alguns volumes do Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (talvez seu trabalho de tradução mais reconhecido até hoje), Honoré de Balzac, Voltaire, Virginia Woolf, Graham Greene, Giovanni Papini e Charles Morgan. Além disso, estima-se que Quintana tenha traduzido um sem-número de histórias românticas e contos policiais, sem receber créditos por isso – uma prática comum à época em que atuou na Globo, de 1934 a 1955.

 Homenagens

O Manuel Bandeira dedicou-lhe um poema, onde se lê:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

O pajador Jayme Caetano Braun, dedicou ao poeta a Payada a Mario Quintana, segue abaixo um trecho da poesia:

Entre os bem-aventurados
Dos quais fala o evangelho,
Eu vejo no mundo velho
Os poetas predestinados,
Eles que foram tocados
Pela graça soberana,
Mas a verdade pampeana
Desta minh’alma irrequieta,
É que poeta nasce poeta
E poeta é o Mario Quintana!

Em Pelotas, há uma escola que recebera o mesmo nome do poeta em sua homenagem.

Prêmio Jabuti

Em 1981 recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano.

 

Fonte: Wikipedia





ABL celebra os 110 anos de nascimento de José Lins do Rego

15 04 2011

JOSÉ LINS DO REGO CAVALCANTI

Pilar, 03 de junho de 1901 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1957 – (56 anos)

A Academia Brasileira de Letras homenageou no dia 11 de abril,  pelos 110 anos de nascimento,  José Lins do Rego,  um mestre do romance regionalista. Zé lins, um  um escrito brasileiro que, ao lado de Graciliano Ramos e Jorge Amado, figura como um dos romancistas regionalistas mais prestigiosos da literatura nacional. Tinha como duas paixões: a literatura e o futebol. Considerado um ilustre rubro-negro, deixou crônicas dedicadas ao Flamengo. Sendo assim, o craque Ronaldinho Gaúcho recebeu a premiação medalha Machado de Assis, a máxima honraria da ABL, prêmio esse que causou bastante polêmica, conforme constamos, por exemplo, aqui

Na ABL, José Lins do Rego foi o quarto ocupante da Cadeira nº 25, eleito em 15 de setembro de 1955. Dentre várias de suas obras destacamos o clássico “Menino de Engenho”, e  “Fogo Morto

 

“O espírito olímpico não é o que conduz à vitória por cima de tudo. É o que chega à vitória para engrandecê-la e respeitar a derrota dos que ficam embaixo.” – José Lins do Rego

 





14 de março – Dia Nacional da Poesia

14 03 2011

          A poesia ganhou um dia específico, sendo este criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março. Poeta do romantismo, ele foi um dos maiores nomes da poesia brasileira. Suas obras que mais se destacaram foram: Os Escravos (no qual há o seu famoso poema Navio Negreiro) e Espumas Flutuantes, cujas características principais são a valorização do amor e a luta por liberdade e justiça.

       

CASTRO ALVES (24 anos)
Muritiba, BA, 14 de março de 1847 __ Salvador, BA, 6 de julho de 1871.

MARIETA

Como o gênio da noite, que desata
o véu de rendas sobre a espada nua,
ela solta os cabelos… Bate a lua
nas alvas dobras de um lençol de prata.

O seio virginal que a mão recata,
embalde o prende a mão… cresce, flutua…
Sonha a moça ao relento… Além da rua
preludia um violão na serenata.

Furtivos passos morrem no lajedo…
Resvala a escada do balcão discreta…
Matam lábios os beijos em segredo…

Afoga-me os suspiros, Marieta!
Ó Surpresa! ó palor! ó pranto! ó medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta!

Castro Alves