1 08 2014

“Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.”

ceci





24 07 2013

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“… E tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu, que é eterno!” – Cecília Meireles





NEM TUDO É FÁCIL – Cecilia Meireles

20 06 2011

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil ser fiel, assim como é fácil se aventurar.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os
olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que
sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o
próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?!
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?!
Nem tudo é fácil na vida…
Mas, com certeza, nada é impossível…
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos,
Mas também tornemos todos estes desejos realidade!

Cecilia Meireles





COM AGULHAS DE PRATA – Cecília Meireles

23 03 2011

Com agulhas de prata
de brilho tão fino
bordai as sedas do vosso destino.

Bordai as tristezas
de todos os dias
e repentinamente as alegrias.

Que fiquem as sedas
muito primorosas
mesmo com lágrimas presas nas rosas.

Com agulhas de prata
de brilho tão frio…
ai, bordai as sedas,
sem partir o fio!





ÍSIS – Cecília Meireles

23 03 2011

E diz-me a desconhecida:
“Mais depressa! Mais depressa!
Que eu vou te levar a vida!…

Finaliza! Recomeça!
Transpõe glórias e pecados!…”
Eu não sei que voz seja essa

Nos meus ouvidos magoados:
Mas guardo a angústia e a certeza
De ter os dias contados…

Rolo, assim, na correnteza
Da sorte que se acelera,
Entre margens de tristeza,

Sem palácios de quimera,
Sem paisagens de ventura,
Sem nada de primavera…

Lá vou, pela noite escura,
Pela noite de segredo,
Como um rio de loucura…

Tudo em volta sente medo…
E eu passo desiludida,
Porque sei que morro cedo…

Lá me vou, sem despedida…
Às vezes, quem vai, regressa…
E diz-me a Desconhecida:

“Mais depressa! Mais depressa!…”





CHOVEM DUAS CHUVAS – Cecília Meireles

8 02 2011

Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.

Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.

E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens





TIMIDEZ – Cecília Meireles

26 11 2010

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

– mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

– palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

– que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…

e um dia me acabarei.