A Hora da Estrela

22 08 2014

12736

(…) Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem. Pois como eu disse a palavra tem que se parecer com a palavra, instrumento meu. Ou não sou um escritor? Na verdade sou mais ator porque, com apenas um modo de pontuar, faço malabarismos de entonação, obrigo o respirar alheio a me acompanhar o texto (…) – Clarice Lispector





Clarice Lispector

5 05 2014

tumblr_52Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto – uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. 

(Trecho do conto ‘Os desastres de Sofia’, in “Felicidade Clandestina)





Clarice Lispector

28 06 2011

“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora”.





Minidicionário Livre da Língua Portuguesa

6 06 2011

Baixe o minidicionário da língua portuguesa, sem complicações, em PDF, neste endereço: http://hedraonline.posterous.com/minidicionario-livre-da-lingua-portuguesa

O dicionário, coordenado pelo professor de filologia da USP, M.M. Santiago-Almeida, conta com mais de 35 mil verbetes e todos os seus vocábulos foram doados para o BrOffice.org [versão brasileira do OpenOffice.org]. Servem de base, portanto, para o corretor ortográfico do processador de texto do projeto. Atualmente a equipe desenvolve aplicativos para tablets e smartphones e ferramentas que permitirão consulta e colaboração online.





(…) Clarice Lispector

24 05 2011

Ela uma vez vira uma amiga inteiramente de coração torcido e doído e doido de forte paixão. Então não quisera nunca a experimentar. Sempre tivera medo das coisas belas demais ou horríveis demais: e que não sabia em si como responder-lhes e se responderia se fosse igualmente bela ou igualmente horrível. Estava assustada como quando vira sorriso de Mona Lisa, ali à sua mão no Louvre. Como se assustara com o homem da ferida ou com a ferida do homem. […].

“A bela e a fera ou A ferida grande demais”, Clarice Lispector





De FERNANDO SABINO para CLARICE LISPECTOR

13 05 2011

 

Nova York, 06 de julho de 1946.

Clarice,

Porisso (sic) não te posso mandar nenhuma palavra animadora. Digo apenas que não concordo com você quando você diz que faz arte apenas porque “tem um temperamento infeliz e doidinho”. Tenho uma grande, uma enorme esperança em você e já te disse que você avançou na frente de nós todos, passou pela janela, na frente deles todos. Apenas desejo intensamente que você não avance demais para não cair do outro lado. Você tem de ser equilibrista até o fim da vida. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame já percorrido e do arame a percorrer — e sempre tendo de exibir para o público um falso sorriso de calma e facilidade. Tem de fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida não tivesse feito outra coisa, para você como se fosse sempre a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário seu número será um fracasso.

Fernando Sabino





PENSAMENTO – Clarice Lispector

4 05 2011

 

“Eu te recebo de pés descalços: esta é minha humildade e esta nudez de pés é a minha ousadia.”

Clarice Lispector