Escrever é Esquecer

10 03 2015

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Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida – umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa SOARES, B. Livro do Desassossego. Vol.II. Lisboa: Ática. 1982. 505p.





Fernando Pessoa

6 01 2012

“Falar é o modo mais simples de nos tornarmos desconhecidos”

Fernando Pessoa





ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

15 06 2011

Parabéns, Fernando Pessoa!… 123 aninhos… Viva!

Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

{Álvaro de Campos, Poemas}

Fernando Pessoa morreu aos 47 anos, em 30 de novembro de 1935: “A morte é a curva da estrada, / Morrer é só não ser visto. […]”





Cartas “DE” e PARA” Fernando Pessoa

9 05 2011

Cartas “DE” e PARA” Fernando Pessoa

Ao Natal MercuryDurban, 7th. July, 1905 “The Man in the Moon”

Ao Punch

A Editora Inglesa

À Entreprise Luvisy

A Armando Teixeira Rebelo

A Augustine Ormond

A Álvaro Pinto, 25 de Abril de 1912

À Álvaro Pinto, 30 de Abril de 1912

À Álvaro Pinto, 1º de Maio de 1912

À Álvaro Pinto, 2 de Maio de 1912

Carta ao amigo Mário Beirão

Carta ao Diário de Notícias

Carta a Mário de Sá-Carneiro

Carta de Amor I

Carta de Amor II

Carta de Amor III

Carta de Amor IV

Carta de Amor V

Carta de Amor VI

Carta a João Gaspar Simões

Museu-Biblioteca Castro de Guimarães em Cascais

Carta a Adolfo Casais Monteiro

Carta à memória de Fernando Pessoa, Julho de 1936

Carta a Fernando Pessoa

 

Fonte: A Casa do Bruxo





Espólio Fernando PESSOA

10 01 2011

A Biblioteca Nacional portuguesa está colocando na web os escritos autógrafos de Pessoa. Já estão disponíveis, desde fevereiro/2006, imagens fac-similares dos poemas de Alberto Caeiro, o primeiro heterônimo, e — segundo Pessoa — o mestre dos outros e dele mesmo.

Clique aqui e acesse os cadernos de Fernando Pessoa 





O GUARDADOR DE REBANHOS – Fernando Pessoa

8 11 2010

heterônimo Alberto Caeiro

 

O GUARDADOR DE REBANHOS

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações

A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,

Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural –
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

 

fac-simile de página do caderno manuscrito de «O Guardador de Rebanhos» © Biblioteca Nacional.

Ocupa a posição 60ª dos Os 100 Melhores Poemas Internacionais do Século XX





P – Biblioteca Domínio Público

29 09 2010

Paai Rengel e outros dous romeus -Afonso Eanes de Coton

Paga ou Morre! -Artur Azevedo

Página azul -Auta de Souza

Página triste -Auta de Souza

Páginas Críticas e Comemorativas -Machado de Assis

Páginas Recolhidas -Machado de Assis

Páginas Recolhidas -Machado de Assis

Pai Contra Mãe -Machado de Assis

Paisagens brasileiras -Visconde de Taunay

Palavras a alguém -Casimiro de Abreu

Palavras no mar -Casimiro de Abreu

Palavras Tristes -Auta de Souza

Pan-americano -Artur Azevedo

Panóplias -Olavo Bilac

Panóplias -Olavo Bilac

Papéis Avulsos -Machado de Assis

Papéis Avulsos -Machado de Assis

Papéis Velhos -Machado de Assis

Para além da curva da estrada -Alberto Caeiro

Para defender a pátria -Frei Caneca

Para não dizer, que não falei em flores -Marco Ramos

Paranóia delirante -Roberto Wagner Magalhães

Parecer de Concurso Literário -Emílio de Menezes

Pareceres de Machado de Assis -Machado de Assis

Passa uma borboleta por diante de mim -Alberto Caeiro

Passei toda a noite -Alberto Caeiro

Passou a diligência pela estrada, e foi-se -Alberto Caeiro

Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas -Alberto Caeiro

Patkull -Antônio Gonçalves Dias

Patriota? Não: só português -Alberto Caeiro

Paulino e Roberto -Artur Azevedo

PAULO -Bruno Seabra

Pedro Gobá -José Ezequiel Freire

Pedro Gobá -José Ezequiel Freire

Pegadas urbanas: Novo Hamburgo como palco do flâneur -Jeferson Francisco Selbach

Pelo passado -Auta de Souza

Pennas de Garça -Auta de Souza

Pensar em Deus é desobedecer a Deus -Alberto Caeiro

Pepita -Casimiro de Abreu

Pequetita -Artur Azevedo

Pera veer meu amigo -Dom Dinis

Perdão! -Casimiro de Abreu

Perfumes e amor -Casimiro de Abreu

Pero eu dizer quisesse -Dom Dinis

Pero que eu mui long’ estou -Dom Dinis

Peru versus Bolívia -Euclides da Cunha

Peru versus Bolívia -Euclides da Cunha

Peru versus Bolívia -Euclides da Cunha

Pesar mi fez meu amigo -Dom Dinis

Pesquisa sem frescura -Jeferson Francisco Selbach

Pétala dobrada para trás da rosa -Alberto Caeiro

Piedade Filial -Artur Azevedo

Pílades e Orestes -Machado de Assis

Pobre Cardeal! -Machado de Assis

Pobre Finoca -Machado de Assis

Pobre flor! -Auta de Souza

Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares -Alberto Caeiro

Pobres Liberais! -Artur Azevedo

Poema da mocidades seguido de Anjo do lar -M. Pinheiro Chagas

Poema da Virgem -Pe. José de Anchieta

Poema dos Feitos de Mem de Sá -Pe. José de Anchieta

Poemas -Alphonsus de Guimarães

Poemas -Alphonsus de Guimarães

Poemas -Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)

Poemas -Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)

Poemas da Morte -Emílio de Menezes

Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa

Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa

Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa

Poemas de Fagundes Varela -Luís Nicolau Fagundes Varela

Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa

Poemas de Raul de Leoni -Raul de Leoni

Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa

Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa

Poemas em Inglês -Fernando Pessoa

Poemas Escolhidos -Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)

Poemas Humorísticos e Irônicos -João da Cruz e Sousa

Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa

Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Alvarez Azevedo

Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Poemas -Luís Nicolau Fagundes Varela

Poemas Malditos -Alvarez Azevedo

Poemas Malditos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Poemas -Safo

Poemas Selecionados -Florbela Espanca

Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa

Poesia e amor -Casimiro de Abreu

Poesia Litigiosa -Antônio Frederico de Castro Alves

Poesia Satírica e Versos de Circunstância -Emílio de Menezes

Poesias Colegiais -Antônio Frederico de Castro Alves

Poesias Coligidas -Antônio Frederico de Castro Alves

Poesias Coligidas -Antônio Frederico de Castro Alves

Poesias Completas -Laurindo José da Silva Rabelo

Poesias dispersas -Machado de Assis

Poesias Escolhidas -José Cândido de Lacerda Coutinho

Poesias -Francisca Julia da Silva

Poesias Inéditas -Fernando Pessoa

Poesias -Júlio Dinis

Poesias -Luis Delfino dos Santos

Poesias -Manuel Maria de Barbosa du Bocage

Poesias Manuscritas -Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)

Poetas devem jogar poemas no lixo -Nelson Lima

Pois ante vós estou aqui -Dom Dinis

Pois mia ventura tal é ja -Dom Dinis

Pois não é?! -Casimiro de Abreu

Pois que diz meu amigo -Dom Dinis

Pois que vos Deus fez, mia senhor -Dom Dinis

Pois que vos Deus, amigo, quer guisar -Dom Dinis

Polêmicas e reflexões -Machado de Assis

Pombos mensageiros -Auta de Souza

Ponto de Vista -Machado de Assis

Ponto de Vista -Machado de Assis

Por Deus, amiga, pês-vos do gram mal -Dom Dinis

Por Deus, amigo, quen cuidaría -Dom Dinis

Por Deus, punhade de veerdes meu -Dom Dinis

Porca elegia -Salomão Rovedo

Possível e Impossível -Machado de Assis

Pouco a pouco o campo se alarga e se doura -Alberto Caeiro

Pouco me importa -Alberto Caeiro

Poverina -Artur Azevedo

Praz-m’ a mi, senhor, de morrer -Dom Dinis

Preguntar-vos quero por Deus -Dom Dinis

Primas de Sapucaia -Machado de Assis

Primaveras -Casimiro de Abreu

Primeiras Trovas Burlescas -Luiz Gonzaga Pinto da Gama

Primeiro Fausto -Fernando Pessoa

Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã -Alberto Caeiro

Primeiros Cantos -Antônio Gonçalves Dias

Primeiros Cantos -Antônio Gonçalves Dias

Produções Satíricas e Bocageanas de Bernardo de Guimarães -Bernardo Guimarães

Proençaes soen mui ben trobar -Dom Dinis

Profissão de fé -Olavo Bilac

Prólogos Interessantíssimos -Vários Autores

Prosa de Circunstância -Emílio de Menezes

Prosas Bárbaras -José Maria Eça de Queirós

Prosopopéia -Bento Teixeira

Prosopopéia -Bento Teixeira

Prosopopéia -Bento Teixeira

Prosopopéia -Bento Teixeira

Prosopopéia -Bento Teixeira

Puelina -Artur Azevedo