Vestes Despidas

22 03 2010

VESTES DESPIDAS

……………….Era uma tarde quando me aconteceu um assalto. As pessoas iam de um lado para outro, fui arrastada juntamente com elas. Por um momento pensava estar correndo grande perigo, mas logo percebi que os ladrões eram bonzinhos. Ao meu redor, via os demais paralisados ante ao fato, muito bem vestidos. Não conversavam, todos calados, mas eu dialogava com um deles, porém, quando eu me dei conta, estava seminua.

……………….Diante de tão estranha situação, sem medo, imediatamente, pedi para que eu pudesse voltar a me vestir, já que a maioria continuava bem trajada. Pois bem, me foi permitido. Corri atrás da minha blusa branca que estava jogada no chão, juntamente, num amontoado de outras roupas de diversas cores e tamanhos. Não mais a encontrei. Na procura achei e vesti uma parecida com a anterior, no entanto, a posterior, de cor preta.


Marli Savelli





Poesia Para Minha Alma

16 02 2010

     

    POESIA PARA MINHA ALMA

     Saí de manhã a vagar pelas ruas das letras com a intenção de encontrar algumas poesias que pudesse vestir a minha alma, e assim protegê-la do terrível inverno que fazia.

     Um luxo o universo das palavras: belas poesias, lindas mensagens, esplêndidos pensamentos – roupas ternas e confortáveis para ocasião, porém nada satisfazia minha alma por completo, que por sua vez, acreditava que estas não faziam seu estilo ou não combinavam com a estação do período.

     Percorri por diversos lugares e nada encontrei. Precisava aquecê-la, senão iria adoecer, mas estava irredutível, não aceitava as que eu estava pretendendo presenteá-la. Foi um dia bastante trabalhoso, contudo, sem grandes êxitos. Exausta, desisti! Logo, mais uma noite fria.

     Prontamente, ao amanhecer, antes de sair à procura de novas soluções, resolvi ouvi-la, e então pude entendê-la melhor: começou a me dizer o que desejava,  como queria e o que sentia, e eu fui registrando. A partir daí eu decidi dar início a escrita,  passei a confeccionar as apropriadas vestes para a minha alma, mas isso não significa que não faço compras, também adoro ir ao Shopping das Poesias, é encantador.

     A danadinha é vaidosa, como toda mulher, quer uma para cada estação, quando não, várias: no verão – veste-se de paixão; no outono – cobre-se de melancolias e saudades; já no inverno – fica desiludida; na primavera – quer se enfeitar de flores e amores.

     Depois disso passamos a nos entender melhor, só encontro dificuldade quando ela fica emburrada, aí se tranca no quarto do meu coração e não fala comigo, e não adianta insistir, o jeito é esperar ela se abrir de novo.

     Foi assim que comecei a trilhar o caminho das letras e me tornei uma ‘aprendiz de poeta’.

 

Marli Savelli  (De’ Lírios)





Lúcida Loucura

9 02 2010

LÚCIDA LOUCURA

Durmo tarde, acordo cedo. Durmo cedo, acordo tarde. Durmo à tarde, durmo cedo e acordo tarde. O sono me embala como ama, difícil é sair cedo da cama. Essa noite foi diferente, dormi pouco, o pensamento bradava rouco. Foi o tempo de fechar os olhos e ter que acordar. Não acreditei, o relógio já dizia pra eu levantar! Despertei e os meus pensamentos ainda vazios, adormecidos e frios. Atravessaram o dia por lugares solitários, vasculhando recordações, deixando o corpo recheado de emoções, saboreando de doces e amargas sensações.

Risos antecedendo lágrimas no olhar,  eu buscava a liberdade do meu pensar. Sensatez e desequilíbrio me ofereciam os braços. Não desejei os laços, rejeitei os abraços. No peregrinar encontrei a alma dividida: uma triste, escondida e perdida; a outra alegre, desenvolvida e cheia de vida. Na luz do juízo, a claridade refletia a complexidade da loucura e da sanidade. Na manifestação da ilusão busquei o equilíbrio na lúcida alucinação, firmando a razão e a emoção. Procuro a felicidade, mas quero realidade, já que tudo aqui é vaidade. No fim do passeio por dois mundos: a despedida. Meus sonhos se aconchegam no sono, os versos deixo-os no abandono. Cansei da viagem, meu corpo pede passagem.

Marli Savelli Quantcast