AUTOPSICOGRAFIA – Fernando Pessoa

11 11 2008

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração. 

Ocupa a posição 85ª dos Os 100 Melhores Poemas Internacionais do Século XX


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3 respostas

17 01 2010
nazareno santos

Não acho que o poeta seja um fingidor..talvez dissmulador, porque a poesia precisa de alma e a alma do oema é o sentiento,por futil ou grandioso que seja tem que haver o sentir. Mas neese poema o mestre Fernando Pessoa realmente demonstrou genalidade, uma invençao poética de outro mundo…

18 01 2010
Palavras Rabiscadas

Gostei do seu comentário. As vezes eu concordo com Fernando Pessoa, outras vezes não… Bom, mas a única certeza é de que o sentimento tem que existir na alma, como vc disse, e então a partir dai voce escreve como quiser, e assim se desenvolve a poesia…

Obrigada pela visita e comentários, foi enriquecedor.

Abraços.
Marli

2 12 2011
Cem melhores poemas do século XX « a rua sétima_______________________

[...] 85º Autopsicografia de Fernando. Pessoa – ”Obra Poética”, Nova Aguilar. [...]

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